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terça-feira, 16 agosto, 2022

Todo mundo virou jornalista

Reprodução
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Ficou no passado a visão romântica de que Jornalismo bem feito é aquele conhecido pela isenção, que procura apresentar os fatos próximos à verdade para que o usuário tire sua própria conclusão. Claro, ainda existem veículos que preservam uma linha editorial com esse objetivo, e que um dia foi definido por William Randolph Hearst, magnata da imprensa americana, assim: ”Jornalismo é publicar tudo aquilo que alguém não quer se publique. Todo o resto é publicidade.”

Mas, coincide com o surgimento das redes sociais, uma distorção do conceito original da profissão de jornalista, onde cada um que dedilha um celular ou notebook virou um produtor de notícias. E a própria definição de notícia virou algo aberto, capaz de englobar fatos gerais, esportivos, amenidades e celebridades no mesmo pacote. Antes, era preciso um curso superior de quatro anos para ser jornalista, hoje qualquer um pode ser.

Nesse pacote de atualização, se estabeleceu no Brasil há pouco mais de três anos uma radicalização de conceitos, na visão dualista do que é bom ou mau, do que é correto ou não e no que é engajado politicamente ou não: o jornalista virou o fio na esteira da radicalização política.

Engajamento

O que está errado em fazer jornalismo engajado? Nada, desde que isso esteja claro para quem lê, ouve ou vê e não esteja disfarçado. Esse é o ponto: jornalistas conhecidos na comunidade viraram o fio, passaram para o lado da adesão política sem deixar claro para quem os acompanha.

É o modelo bolsonarista de fazer jornalismo. Do que se trata, exatamente (e talvez você identifique com o que já viu na mídia nos últimos tempos).

Começou com a tentativa de desestimular a vacinação e a questionar a importância dos imunizantes; passa pelo questionamento das urnas eletrônicas, em confrontar os tribunais de Justiça e os juízes da Suprema Corte e está na fase de questionar as pesquisas eleitorais. Vale tudo para validar a narrativa, construída nos bastidores do poder.

E isso não está longe da gente, como se imagina. Exemplos: a Jovem Pan News de Florianópolis, que se mantinha distante da linha editorial nacional engajada, sexta-feira passada estava debatendo uma pesquisa fake que mostrava empate entre os candidatos Bolsonaro e Lula, ao contrário do que dizem os grandes institutos. E dois colunistas, com longa estrada já percorrida na profissão, no mesmo dia, falavam em manifestações em Florianópolis contra o Juiz Luiz Roberto Barroso, do STF, como se fosse uma ação da comunidade e não de um grupo organizado só para isso.

Faltando três meses para as eleições, a atenção tem que ser redobrada para escapar das armadilhas da informação manipulada pelos jornalistas engajados.

Claiton Selistre
Publisher, colunista e owner do Portal Making Of, é jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário, além de coordenador do comitê editorial da RBS em Santa Catarina. Antes atuou na Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há sete anos.
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