Novembro 19, 2021

Tony Soprano mandou lembranças

Tony Soprano mandou lembranças
Michael Gandolfini e James Gandolfini, os Sopranos/reprodução

Não costumo comprar filmes de TV à parte, pois minha cota para streamings já é bem dispendiosa. Mas, não pude segurar a ansiedade de ver Os muitos santos de Newark, filme-prelúdio sobre a infância e adolescência de Tony Soprano. Quem acompanha a coluna sabe que Os Sopranos é, foi e sempre será minha série favorita. Como resistiria? Comprei.

Grande expectativa quase sempre é sinônimo de decepção. O filme, dirigido por Alan Taylor, não chega a ser ruim, mas falta o impacto da série. Aviso que ele é mais interessante para quem conhece os personagens. A gente se diverte identificando quem é quem ali. É curioso ver nossos velhos conhecidos no corpo de outros atores: Carmela é ainda a namoradinha adolescente de Tony; os futuros capangas Paulie e Silvio Dante já estão na área; o tio Corrado, Janice, a irmã e Livia, a terrível matriarca já mostravam a que vinham.

Eu gostaria que a trama tivesse focado mais no menino Anthony, mas o eixo da trama é o padrinho idolatrado dele, Dickie Moltisanti (daí o título do filme). Uma boa sacada do roteiro é colocar Chris Moltisanti como o narrador póstumo da história. Como sabemos, o filho do amado “tio” Dickie foi morto pelo “tio” Tony Soprano mais tarde. Isso não é spoiler, está na série e nem me passa pela cabeça que alguém ainda não a tenha visto.

Ao reencontrar esse universo, me comovi duas vezes: vendo Michael Gandolfini viver o papel do pai quando jovem. James Gandolfini que deu vida a Tony Soprano, um dos personagens mais icônicos das séries de TV, morreu do coração, aos 52 anos, em 2013.  A semelhança física e a boa atuação do herdeiro, mostram que o garoto irá longe na profissão. Outro momento emocionante foi ouvir o no final, um trechinho de Woke Up This Morning, de Alabama 3, canção da abertura de Os Sopranos. David Chase, o criador da série e diretor, pareceu mandar o recado:  lembram disso? Me aguardem que é só o começo! Meu coração sopranete bateu mais forte.

(Trailer Warner Play)

Disponível na HBO Max/Warner Bros

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FILMES

Era uma vez na América –direção: Sérgio Leone – 1984 –  Prime Vídeo e Cine Belas Artes

Quando penso em história de máfia bem contada lembro sempre do filme do Sérgio Leone. Quase quarenta anos após o lançamento, ele continua um dos melhores no tema. Esta saga percorre desde os dias de infância de um grupo de garotos, que começa cometendo pequenos crimes no bairro judeu de Nova York, atravessa o apogeu dos dois quando se tornam chefões durante a Lei Seca e retrata o reencontro deles após trinta e cinco anos. Um deles é vivido por Robert DeNiro, na fase em que era um dos melhores atores da história do cinema, o outro por James Woods, igualmente ótimo no papel.

O filme de Leone, sob a trilha de Ennio Morricone, é um catálogo de cenas antológicas.  A menina que dança entre brancos sacos de farinha, ao som de Amapola, e o garoto em dúvida entre o doce ou a prostituta são das coisas mais poéticas que já vi nas telas.

 

Viva a liberdade – direção: Roberto Andó – Itália – 2013 (disponível em libras) – Cine Belas Artes à la carte

Essa comédia ácida parte de um assunto que sempre rende: os bastidores da política. E a política italiana não é para amadores. Aqui o povo já não acredita em promessas vazias (jura??). Um dia, o candidato da oposição que está em baixa na aprovação popular, desaparece. Seria desesperador se não houvesse outro igualzinho para colocar no lugar. Toni Servillo, um dos atores mais prestigiados no atual cinema italiano, vive o (s) protagonista(s).

Importante: O filme está disponível em libras, dentro da programação do 16º Festival do Cinema Italiano, do Belas Artes, que traz também outros ótimos filmes dessa nacionalidade.

 

7 Prisioneiros – direção: Alexandre Moratto – 2021 – Netflix

Esta produção brasileira da Netflix conseguiu chegar ao ranking da quinta mais vista da plataforma mundial. O tema mexe muito comigo. Acho mesmo que submeter alguém a trabalho escravo deveria ser considerado crime hediondo. Rodrigo Santoro que já provou faz tempo ser muito mais que apenas um rostinho bonito, interpreta o famigerado Luca, um explorador de garotos em regime análogo à escravidão. Seu antagonista é Mateus, um dos primeiros a perceber a fria onde entrou. E agora? Se rebelar ou se juntar ao opressor?

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SÉRIES

Catarina, a grande - 2ª temporada – Prime Vídeo

Para mim, a melhor notícia de novas temporadas chegando em novembro é que vou continuar acompanhando as aventuras de Catarina, a grande. Os diálogos ácidos, a direção de arte, o figurino, tudo é um primor nessa rara série que me faz rir, mesmo entre cenas de crueldade extrema. A super carismática Elle Fanning, no papel da jovem imperatriz, é um dos trunfos da produção, ao lado do confuso Nicolau III, interpretado por Nicolau Hoult.

 

Glória –  10 episódios – Portugal – Netflix

Ainda não assisti, mas é interessante – depois da invasão espanhola e coreana - registrar a chegada da primeira série portuguesa original da Netflix.

Trata-se de uma história de espionagem, passada na pequena cidade de Glória do Ribatejo, local de alguns dos maiores eventos da Guerra Fria na Europa a partir de 1968. Após a intervenção norte-americana, uma rádio, conhecida como RARET, foi instalada na cidade para transmitir conteúdos proibidos nos países soviéticos e espalhar propaganda anticomunista.

A conferir.

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VEM AÍ

A nova era de Downton Abbey  

Infelizmente, a estreia do segundo filme da franquia não acontece mais no Natal.  A boa notícia é que chegará em março de 2022. As novas aventuras da nobres Crawley e sua criadagem maravilhosa vai se chamar Downtown Abbey: a new era. Sabe-se pouco da trama, mas o eixo é um segredo do passado da matriarca Violet, a incrível Maggie Smith, que acaba levando a família ao sul da França.  Há interessantes aquisições no elenco: Dominic West, de The Affair, e Imelda Stauton, intérprete da Rainha Elizabeth II na última temporada de The Crown, entre outros. Promete! Os fãs do seriado, que durou de 2010 a 2015, vão poder matar um pouco as saudades. Quem estava em Marte e ainda não viu a série, pode correr atrás do prejuízo. Disponível na Prime Vídeo.

 

Esperando a maravilhosa Mrs. Maisel

Acabaram as gravações da quarta temporada de Maravilhosa Mrs. Maisel, fora do ar durante um ano e meio por causa da pandemia. Ainda não há data oficial para o lançamento, mas já é uma bela notícia saber que vão voltar alguns dos diálogos mais divertidos e inteligentes das séries em cartaz. A nova temporada traz Milo Ventimiglia no elenco, fazendo par amoroso com a inquieta protagonista (foto). Quem deu a notícia foi a própria Rachel Brosnahan, intérprete da senhora Maisel, uma dona de casa de classe alta da Nova York dos anos 1950 que, após o divórcio e uma crise existencial, decide seguir carreira na então emergente cena de comédia stand-up na cidade. Não viu ainda? Tem na Prime Vídeo.

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THE END

*Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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