Contexto necessário
A entrevista coletiva do CEO Rafael Franzoni, acompanhado do presidente do Figueirense Associação, José Tadeu da Cruz, na manhã desta quinta-feira (29) teve como objetivo esclarecer, sem atalhos, o momento delicado e decisivo vivido pelo clube. Em meio a resultados esportivos frustrantes, a direção reforçou que o olhar precisa estar voltado para a frente, equilibrando gestão e futebol, sustentados por uma torcida criativa, apaixonada e que jamais abandonou o Figueirense, um dos principais alicerces do clube.

Busca estruturada
Desde setembro do ano passado, disse Franzoni, a diretoria passou a buscar soluções financeiras e parcerias capazes de inverter a lógica perversa de despesas maiores que receitas. Foi nesse contexto que surgiu o contato com uma empresa especializada em operações financeiras para clubes de futebol, sem qualquer vínculo prévio com a SAF do Figueirense. Um fundo internacional com origem britânica. O interesse despertado não foi por acaso: média de público expressiva na Série C, patrimônio relevante e potencial esportivo, mesmo em cenário de risco esportivo.
Processo técnico
Para dar seriedade ao avanço das tratativas, foi firmado um acordo de confidencialidade e contratada a Alvarez & Marsal, referência mundial em reestruturação e M&A, já parceira do clube no processo da RJ. Após reuniões e análises conjuntas entre clube, fundo e consultoria, uma proposta inicial foi apresentada, debatida, ajustada e aprimorada, sempre com foco na proteção do patrimônio histórico do Figueirense como o estádio e o terreno, mantidos sob a associação e na centralidade do futebol como motor do projeto.
Governança coletiva
Um ponto reiterado com firmeza foi o envolvimento de todos os poderes constituídos do clube. Conselho deliberativo, comissões internas e direção executiva participaram do processo desde as primeiras apresentações formais. Nenhuma proposta foi escondida, nenhum passo foi dado de forma isolada. A exclusividade por 60 dias, tão questionada, é prática comum em processos de M&A, justamente para permitir a realização da Due Diligence, etapa obrigatória de verificação jurídica, financeira e operacional.
Prazo e responsabilidade
Durante esses 60 dias, há ônus e bônus claramente definidos. Se o negócio não avançar, a exclusividade se encerra automaticamente. Se avançar, qualquer decisão final dependerá, exclusivamente, da aprovação do conselho deliberativo. A direção foi enfática: não haverá contrato, nem mudança estrutural, sem aval coletivo. O foco é evitar um cenário falimentar, honrar a Recuperação Judicial e construir, com responsabilidade, um Figueirense mais forte e sustentável.
No fim, a coletiva não anunciou um “negócio fechado”, mas deixou claro algo talvez ainda mais importante: o clube está tratando seu futuro com método, transparência e governança, exatamente o que se exige em um momento tão sensível da história alvinegra.
Confira a entrevista:









