Março 30, 2017
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Tucanos antecipam 2018 na Capital

Há mais do que a disputa entre duas chapas ao diretório municipal de Florianópolis, neste domingo, quando, tudo indica, os tucanos locais escolherão também a preferência de um grupo sobre o projeto da sigla para o governo, no ano que vem. Em tese, as duas chapas defendem a candidatura própria à sucessão de Raimundo Colombo (PSD) e Eduardo Pinho Moreira (PMDB), mas a sutileza desta posição está envolta em um clima quente nos bastidores.

O embate transformou-se em rota de colisão entre líderes da sigla, embora os protagonistas neguem suas preferências. Um dos alvos dos desacertos seria o presidente estadual do partido, o deputado estadual Marcos Vieira, que tem base e uma hegemonia invejável na Grande Florianópolis. O beneficiado indireto, sem ter se manifestado, o senador Paulo Bauer, nome mais forte para outra disputa, a do governo em 2018. Por todos estes fatores a escolha ganha contornos que transcendem os limites geográficos da Capital.

Exércitos e soldados

A chapa 1, liderada, entre outros, pelo suplente de vereador Luciano Formighieri, um cristão-novo no tucanato, é composta pela ala mais jovem do PSDB e tem, na composição, assessores e ex-assessores dos deputados Vicente Caropreso, Leonel Pavan e Mário Marcondes, e do senador Paulo Bauer, preferência da maioria dos apoiadores do grupo para disputar o governo, o que sugere uma ruptura na bancada. A chapa 2, liderada pelo atual presidente Luiz Carlos Silva, o Luizinho, um histórico da sigla, e pelo vice-prefeito João Batista Nunes, contabiliza a simpatia de 22 dos 24 suplentes de vereador e dos três vereadores (Edson Lemos, secretário do Continente; Jeferson Backer e Maikon Costa), além do ex-presidente Walter da Luz (o doutor Juca). É mais próxima do presidente estadual Marcos Vieira.

 

A consequência

Seguido o roteiro de tensão, das últimas horas, quem torce para a divisão entre os tucanos deve estar a comprar os fogos de artifício para comemorar. O vice-prefeito João Batista Nunes atesta que Marcos Vieira tem agido como um magistrado no processo, o que não significa que as coisa devem esquentar.

 

Intervenção?

Formighieri afirma que seu grupo, que não definiu ainda o cabeça na chapa, quer provocar o debate na sigla e não “é contra ou a favor de ninguém”. Já João Batista questiona, por exemplo, a filiação em bloco de 302 novos tucanos, patrocinadas pela líder da chapa 1, há um mês, e que teve as fichas abonadas por Bauer. E lembra que quando Vicente Caropreso era presidente estadual do PSDB vetou um movimento idêntico do então tucano Gean Loureiro, hoje prefeito pelo PMDB, que havia patrocinado uma chegada em massa de novos filiados. João Batista adverte que, caso valha a “manobra” de Formighieri, pedirá a anulação da convenção e um prazo maior para fazer o mesmo gesto.  

 

O porquê

A posição e unidade dos tucanos interessam, por razões diferentes, ao PSD e seus aliados no projeto de Gelson Merisio, bem como ao PMDB que busca montar uma coligação de porte, seja Mauro Mariani, Eduardo Pinho Moreira ou Udo Döhler o candidato ao governo. O que deve ser considerado é que o PSDB pretende ter um candidato para comandar o Estado, em chapa pura se não forem formadas grandes coligações.

 

Desastre

Não há mais nada impopular do que aumentar impostos, uma manobra do governo federal que junta-se a uma série de infortúnios registrados nos últimos dois anos. A recessão que fez com que categorias que não recebessem reajuste salarial, que gerou quase 13 milhões de desempregados e que manteve a implacável política fiscal que sequer reajusta a tabela do Imposto de Renda. Nem a oposição, que há pouco era governo, tem moral para criticar o lastimável estado em que se encontram as contas públicas.  

 

RÁPIDAS

 

* Cinco dos sete conselheiros do Tribunal de Contas na prisão, dois ex-governadores, um preso e outro recém-solto, e o atual governador sob a ameaça de perder o cargo em meio à maior crise financeira da história: o Rio de Janeiro é o exemplo de que aventuras eleitorais têm limites e que, até na abundância de recursos, no caso provenientes dos royalties do petróleo ou de obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas, o bem público deve ser administrado, não saqueado.

 

* Na análise dos vetos do governador aos projetos na Assembleia tem debate sim, às vezes intermináveis ao ponto do presidente Silvio Dreveck ter que reforçar que há tempo para a defesa de um ponto e outro.

 

* O julgamento da chapa Dilma/Temer, no TSE, a partir da semana que vem, põe, mais uma vez, o país à prova e ainda balança a nossa democracia. A saída deve ser jurídica, porém dificilmente escapa do tom político, da escolha se ficamos como estamos ou pensamos em uma nova eleição, duas saídas difíceis. 

Tags:
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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