Março 31, 2017
FIESC

Tucanos buscam o entendimento na Capital

Na primeira reunião entre os representantes das duas chapas que concorrem à eleição pelo comando do diretório municipal do PSDB da Capital, nesta quinta, não houve acordo. Um pedido pelo consenso em uma única lista, proposto pelo presidente estadual da sigla, deputado Marcos Vieira, deve ser retomado antes da escolha, marcada para domingo. Vieira não esteve no encontro, quer uma definição entre os dois grupos. Os ânimos estão exaltados nos bastidores e há quem deseje o enfrentamento total, doa a quem doer, sem avaliar que cicatrizes de embates deste nível provocam rachas quase irreversíveis.

O atual presidente do tucanato de Florianópolis, Luiz Carlos Silva; o vice-prefeito João Batista Nunes e o suplente de vereador Luciano Formighieri, entre outros, terão que se esforçar mais para evitar o que parece claro: a disputa local virou uma prévia de divergências internas que irão desembocar em 2018, quando a maioria dos líderes tucanos quer candidatura própria ao governo. O PSDB é cobiçado como um grande aliado pelo PMDB e pelo PSD, propensos a estarem separados na disputa.      

 

REPRODUÇÃO INTERNET

NO GOSTO DE TEMER

A foto do governador Raimundo Colombo estampava a capa do site oficial do Palácio do Planalto, na noite desta quinta-feira, e era a reportagem especial depois de um uma audiência com o presidente Michel Temer. Colombo foi a Brasília agradecer pela rápida ação do governo federal em reverter o quadro negativo no mercado internacional em países como a China, Hong-Kong e Chile, entre outros, que voltaram a comprar a carne brasileira depois da operação deflagrada pela Polícia Federal. O apoio de Colombo à reforma da Previdência foi o destaque da notícia oficial, onde o governador afirma que a aprovação da reforma, em trâmite no Congresso, é necessária evitar a falência do sistema e a continuidade do pagamento dos benefícios. Em Santa Catarina, as mudanças começaram, em 2015, com o aumento da alíquota paga pelos servidores de 11% para 14%, a criação de um fundo de aposentadoria complementar e a fusão dos fundos financeiro e previdenciário.

 

Fundam

Na conversa com Temer, Colombo tratou de um assunto que virou clamor entre deputados estaduais e prefeitos, a liberação de recursos para o Fundam II, cerca de R$ 700 milhões, a fundo perdido, para financiar obras de infraestrutura e a compra de equipamentos. O governo do Estado paga os valores do empréstimo. A boa notícia é que Colombo recebeu de Temer a informação de que a Secretaria do Tesouro Nacional está concluindo a análise para a liberação dos recursos.

 

Fecha o cerco

O Ministério Público Federal inaugurou uma nova modalidade ao entrar com uma ação de improbidade administrativa contra o Partido Progressista, algo que deve ser replicado ao PT e ao PMDB no futuro próximo, e enquadrou o ex-deputado federal João Pizzolati nas denúncias de recebimento de propina por integrantes da sigla. Pizzolatti, que foi presidente do PP estadual, é o catarinense mais enrolado na Operação Lava Jato, até esta fase das investigações. Desde 2015, o ex-parlamentar vale-se da condição de secretário de Estado em Roraima, hoje na pasta Extraordinária de Promoção de Investimentos (Sepin), para obter foro especial.

 

Detalhe

Considerado um dos operadores da propina no Congresso, passado por empreiteiras, desde os tempos em que ocupava um posto na Comissão de Minas e Energia da Câmara, João Pizzolatti é o centro de uma batalha entre o Ministério Público de Roraima e a governadora Suely Campos (PP), que se arrasta há dois anos. Antes da atual pasta, Pizzolatti já passou pela Secretaria Extraordinária de Articulação Instituição e Promoção de Investimentos (2015) e pela Secretaria Extraordinária de Relações Institucionais (2016) e foi afastado das duas por decisão judicial: primeiro por ter sido citado na Operação Lava Jato e depois por ser inelegível e estar impedido de ocupar função pública, decisão da Justiça que chegou a ser suspensa e depois confirmada.

 

O resumo

Pizzolatti é um arquivo-vivo, daí a guarida dada por muitos pepistas país afora, mas, em Santa Catarina, embora tenha o reconhecimento de muitos ex-companheiros de partido, não gozava da simpatia do casal Angela e Esperidião Amin. O ex-deputado pepista tornou-se inelegível por conta de um contrato da empresa de engenharia, da qual era sócio-minoritário com o irmão Paulo, com a prefeitura de Pomerode, condenado pelo Tribunal de Justiça. Pizzolatti quase não conseguiu tomar posse, em 2011, na Câmara, enquanto não se estabeleceu que a Lei da Ficha Limpa só valeria a partir da eleição seguinte.

 

DIVULGAÇÃO

VITÓRIA DA OPOSIÇÃO

Com 290 votos contra 100, a chapa 2, que fazia oposição à atual diretoria do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa, venceu a eleição nesta quinta. A renovação pode ser avaliada pelo futuro presidente, o jornalista Diego Vieira, que atua no setor de Comunicação Social da casa. Diego cumpriu até uma promessa, só apareceria em uma foto depois de confirmado o resultado da vitória se conseguisse um registro ao lado do ex-deputado e servidor do Legislativo aposentado Onofre Santo Agostini, que disse que viria e esteve no Palácio Barriga Verde para votar.  

 

Made in Venezuela

Difícil será para os bolivarianos brasileiros, que sempre defenderam que a Venezuela era uma democracia, explicar o “auto-golpe” de Nicholas Maduro, agora que a Suprema Corte do país vizinho assumiu as funções do parlamento. E não se iluda que, na onda da Lava Jato, em nome de um choque de moralização ou algo que o valha, tem muita gente, da direita e da esquerda, que nem sabe quem foi Simon Bolívar e que defende este absurdo modelo para o Brasil.

 

Made in Brasil

Se você pensa assim, um aviso: magistratura e Ministério Público são compostos por quem fez um concurso público, não foram escolhidos pela população nem são ungidos para alguma missão sagrada ou estão acima de qualquer lei ou suspeita. Já as câmaras de vereadores, assembleias legislativas e o Congresso Nacional são compostos por representantes eleitos por um prazo determinado com erros que reproduzem muito do comportamento de quem os escolhe. A democracia é melhor do que qualquer ditadura e esta frase está sendo reforçada no dia em que lembramos o golpe de 1964.       

 

RÁPIDAS

 

* Quando a força-tarefa da Lava Jato pede a devolução de R$ 2,3 bilhões do PP pelo recebimento de propina e diz que não pretende impedir a atividade partidária utiliza-se do mesmo expediente que pune empresas e não apenas seus executivos como agentes da corrupção.  

 

* Na condição de deputado federal, a passagem de João Pizzolatti pela Comissão de Minas e Energia da Câmara o fez estreitar os laços com a então ministra da pasta, Dilma Rousseff (PT), e tem gente que jura, em Brasília, que se não estivesse inelegível e sob o crivo da lei da Ficha Limpa, o parlamentar catarinense teria virado ministro no primeiro governo da petista.

 

* Declínio: o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) queria ser presidente da República e sentia-se muito poderoso por passar pela presidência da Câmara, além de garantir que detinha o “domínio” sobre a maioria dos parlamentares, algo capaz de sustentar o seu grande ato que foi levar o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) adiante.

 

* A prepotência e sua língua afiada não garantiram os projetos de Cunha: teve o mandato cassado por mentir em uma comissão e agora foi condenado a 15 anos de prisão, o primeiro entre vários processos que responde, por corrupção, na Operação Lava Jato. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Roberto Azevedo tem 36 anos de profissão. Estudou jornalismo na UFSC, de Florianópolis, e direito na FURB, de Blumenau. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, na RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis, na Rede TV Sul! e na TVBV (Barriga Verde, BAND); comentarista na RIC TV Record e na Record News, e colunista no Diário Catarinense (onde também foi editor de Política) e no Notícias do Dia, tendo blogs nas versões digitais das edições. Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital catarinense. Além de ter uma coluna no Portal Making Of, desde setembro de 2016, faz comentários sobre política e economia na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e na TVBV (BAND), de Florianópolis.
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