Janeiro 08, 2021

Uma conversa com Pedro Leite

Uma conversa com Pedro Leite

O nome dele se confunde com o da Itapema FM. Hoje de Florianópolis, mas que já teve programação em Joinville e mesmo em Porto Alegre. Se confunde também com projetos inovadores relacionados à música e , em especial, qualidade.

Pedro Leite, jornalista de origem, deixou hoje a posição que ocupava na Itapema. Para seus colegas e admiradores, a saída é como se o bom gosto descesse um degrau do alto do Morro da Cruz, sede da NSC.

Pedro aceitou responder algumas perguntas, em um dia agitado pela despedida dos colegas e dos telefonemas que o acompanham até agora.


Confira a entrevista na íntegra:

 

Making Of: Você imaginava que seu período nas rádios da NSC, no caso a Itapema, estava finalizando ?

Pedro Leite: Sim. Já imaginava. Na realidade, há um bom tempo iniciei um processo de desapego ao trabalho, por perceber que meu nome estava visceralmente ligado aos produtos para os quais me dedicava e que isso poderia não ser saudável futuramente. 30 anos é muito tempo.

 

Making Of: Você já consegue racionalizar sua saída ?

Pedro Leite: Posso dizer que esse processo começou com perdas recentes que fortaleceram minha crença na importância de investir somente em coisas e pessoas que realmente fazem sentido pra mim. Crescer, muitas vezes, é reduzir de tamanho.

 

Making Of: Que contribuições você entende que foram mais significativas para a programação musical em FM?

Pedro Leite: Acredito que a grande contribuição da Itapema foi provar que é possível e viável, artística e economicamente, fazer um veículo de massa com qualidade estética e sem concessões para as regras fáceis de mercado. O trabalho de pesquisa musical mostrou que existe música boa sendo produzida fora dos Estados Unidos e da Inglaterra. Nosso slogan "O Mundo Toca Aqui", foi criado antes mesmo de se falar globalização. E a programação baseada nos diferentes moods dos ouvintes no decorrer do dia e nos diferentes dias da semana, implantada de forma inédita pela Itapema, continua sendo um desafio para gigantes das plataformas de stream que povoam a web.

 

Making Of: Qual você entende ser o futuro do FM com tantas opções no streaming?

Pedro Leite: Acredito, e até mesmo as pesquisas de mercado mostram, que o veículo radio ainda tem um bom tempo de vida desde que invista em tecnologias que permitam a capilarização de conteúdos com outras plataformas de comunicação mais atuais. Rádio é um veículo digital por natureza. A internet não diminuiu o número de ouvintes de rádio. Pelo contrário, potencializou as audiências de um veículo local que agora pode ser ouvido em escala global. Houve um redução no tempo em que cada indivíduo passa ouvindo um determinado veículo. Mas isso não acontece exclusivamente com o meio rádio.

 

Making Of: Quais são seus planos a partir de agora ?

Pedro Leite: Inicialmente, pretendo ficar um bom tempo curtindo e fazendo projetos familiares com meus filhos, que são excelentes parceiros. Também quero voltar a investir pesado nos meus treinos de musculação. Mas sei que não vou conseguir ficar muito tempo parado. Se alguém aí tiver uma boa sugestão, é só chamar para um café.

 

Making Of: Última pergunta: teu trabalho é conhecido pela qualidade. Acredita que hoje em dia a qualidade está sendo preterida de maneira geral na mídia ?

Pedro Leite: Não há dúvidas. Qualidade é uma grande questão hoje em dia para quem pensa conteúdo para veículos de mídia. Na busca por audiência, os trends e as pseudo celebridades acabam pautando o noticiário. Difícil solucionar uma equação quando de um lado temos jornalistas querendo construir conteúdos de qualidade e, de outro, uma grande massa querendo consumir banalidades. O nude de uma cantora obscura de funk rende zilhões de cliques a mais do que uma reportagem de fôlego sobre os rumos da politica cultural do Estado, por exemplo.

 

Pedro Leite

É jornalista, formado pela faculdade de Comunicação Social da Universidade Federal de Santa Maria. Trabalhou 35 anos na RBS/NSC. Foi coordenador artístico da Rede Itapema FM SC, repórter especial e colunista de música dos cadernos de Variedades e Cultura, do Diário Catarinense, em Florianópolis. Nesse período, cobriu grandes festivais nacionais como Free Jazz, Rock In Rio, Hollywood Rock, Blues Festival, e entrevistou personalidades do mundo da música como Eric Clapton, Buddy Guy, Annie Lennox e David Byrne.

Em 1993, foi convidado para desenvolver o projeto de uma emissora de rádio do o segmento Adulto Contemporâneo, que acabou resultando na Rede Itapema, que chegou teve emissoras nos cinco maiores centros econômicos da Região Sul.

Paralelamente, desempenha a função de professor orientador de projetos de conclusão do curso de Comunicação Social da Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina, Unisul.

Em 2003, representou o Brasil no ICT Excutive’s Seminar Broadcasting, curso que reuniu representantes de oito países, em diferentes cidades do Japão, para discutir tecnologias futuras e novas linguagens em rádio e televisão. Foi mentor de cultura, lazer e entretenimento do Grupo NSC.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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