Setembro 04, 2021

Vamos falar de Cinema?

Vamos falar de Cinema?

Voltei, queridos leitores! Espero que tenham sentido a minha falta como senti a de vocês. Depois de uma pausa de quatro semanas, onde vocês tiveram chance de conhecer as preferências cinematográficas de pessoas muito interessantes (obrigada, Vicente Concílio, Robertson Frizero e Cleide Klock pelas entrevistas), a coluna retorna com algumas mudanças.

Quem acompanha Cine & Séries desde sua estreia em agosto de 2017, sabe que ela já foi temática. A cada semana, eu listava filmes sobre um mesmo tema (confira na seção Acervo). O impacto da pandemia do novo coronavírus na nossa vida trouxe o desejo de conversar também sobre outros temas e sentimentos. Surgiram as “Crônicas em Quarentena”.  Agora, um ano e meio depois, este espaço volta a sua gênese: falar de filmes, séries e afins.

Mas, quem curtia as “Crônicas” poderá continuar a lê-las na edição de domingo. Gostaram das mudanças?

E agora, luz, câmera, ação...claquete! Vamos falar de Cinema.

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DICAS

FILMES

A professora do jardim de infância (The kindergarten teacher) – direção: Sara Colangelo – 2018 – Prime Vídeo

Este não é um filme para quem procura ação ou trama simples, mas para quem prefere ser sacudido ao se ver diante de uma história ambígua. A premissa é a de uma professora que aspira ser poeta e descobre num pequeno aluno o dom extraordinário para a poesia. Ela tenta convencer o pai do garoto a incentivar esse dom, busca de todas as formas ajudá-lo e chega mesmo a se apropriar de alguns versos. Aos poucos vai ficando obcecada pelo pequeno e perde a noção de tudo. Maggie Gyllenhall, uma das minhas atrizes favoritas, interpreta a professora andando no fio da navalha. Ela está incrível. Gael Garcia Bernal faz o professor e mentor dela na poesia. Ah, este é um remake do original israelense, que não tive chance de assistir. 

 

No calor da noite  (In the heat of the night)– direção: Norman Jewison – 1967 –

Já vou avisando que Sidney Poitier é um dos meus atores favoritos, então não me cobrem imparcialidade. Mas, o filme é ótimo e ele está impecável no papel do detetive que é preso como suspeito de um crime, apenas por ser negro. Depois, descobrem que na verdade ele é um policial que acabará investigando o caso. Após o sucesso de “No calor da noite”, o personagem de Poitier, Virgil Tibbs, aparece em mais dois filmes.

Indicado a sete Oscars, esta produção levou cinco estatuetas, inclusive de Melhor Filme e Melhor Ator para Rod Steiger no papel do policial racista. Poitier nem foi indicado. Ele havia recebido o Oscar em 1964, por “Uma voz nas sombras”, fazendo história ao ser o primeiro intérprete negro a ganhar o prêmio.



Deixe-o partir (Let him go)-direção: Thomas Bezucha- 2020 – Telecine

Vou me estender um pouco. O sucesso como diretor e intérprete de “Dança com Lobos” (1990) transformou Kevin Costner no astro número 1 de Hollywood. Dois anos depois, outro sucesso: “O guarda-costas”, ao lado da diva Whitney Houston. O fracasso da mega produção “Waterworld” (1995) causou uma reviravolta na carreira do super star. Ele recebeu uma sucessão de troféus “Framboesa de Ouro”, que “premia” os piores do ano, e acabou se tornando “veneno de bilheteria”. Após perder prestígio junto aos estúdios, passou a fazer apenas filmes medianos

Costner nunca esteve entre meus atores favoritos, mas vi “Deixe-o partir” e olhei para ele com bons olhos. Ele me convenceu no papel de um xerife aposentado arrasado pela perda do filho que vai atrás do neto, levado embora pela ex-nora para a família do novo marido. Fiquei pensando que, às vezes, estar no pódium dos semideuses como Robert DeNiro e Jack Nicholson torna esses atores intérpretes de si mesmos. Não é o caso de Kevin Costner que, longe de estar nesse patamar, consegue uma atuação onde ele não é ele mesmo. Quanto ao filme em si, é mediano e tem alguns bons momentos, mas o final estraga tudo. A parceira de elenco é Diane Lane que também melhorou na maturidade. Ela consegue me comover em algumas cenas, como a avó que faz de tudo para resgatar o neto.

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SÉRIES

Nove desconhecidos – 08 episódios – Prime Vídeo

Depois do sucesso de Big Little Lies, baseado no romance de Liane Moriarty, houve disputa para adaptação de seu novo livro. Quem ganhou foi o Hulu que produziu a minissérie, onde o nome forte é de novo Nicole Kidman. Tem ainda mais gente importante no grupo como Melissa McCarthy e Michael Shannon. Nos primeiros episódios (são disponibilizados a cada semana) essa nova adaptação não tem o impacto de Big Little. A ver.

Os nove desconhecidos do título são reunidos num spa de luxo, chamado Tranquilum. Eles começam a receber uma alimentação diferente, fazem jejum forçado e ouvem orientações de uma enigmática terapeuta russa, papel de Nicole. Aos poucos vamos conhecendo o que habita cada cabeça e coração e porque foram selecionados para estar ali, enquanto coisas estranhas acontecem. (trailer Hulu/Amazon – TrailersBR/YouTube)

 

Clickbait – 10 episódios – Netflix

Esta minissérie de suspense caiu nas graças do público, mas da crítica nem tanto. Ela começa com o desaparecimento de um professor e a viralização de um vídeo com acusações contra ele. A ameaça é de que ao chegar a cinco milhões de visualizações ele será morto. Cada episódio foca num dos personagens, a esposa, a irmã, o detetive, o jornalista etc... O pano de fundo são as redes sociais e como elas podem ser usadas para o bem e para o mal. Não é uma série espetacular, mas entrega suspense, reviravoltas e um toque para ficarmos atentos às ilusões das redes. O final é bem ruim, não pelo desfecho em si, mas pelos excessos e inverossimilhança. O principal nome do elenco é Adrian Grenier (de O Diabo veste Prada e da série Entourage).

 

Hierro – 8 episódios – HBO

A Espanha se tornou uma fértil produtora de séries, principalmente de suspense. Esta mostra a chegada de uma investigadora a Hierro, a mais longínqua das Ilhas Canárias. Ríspida e objetiva, ela começa a investigar o assassinato de um jovem na véspera de seu casamento. Aos poucos vai descobrindo uma comunidade fechada, onde todo mundo se conhece e ela é uma estranha. Outra figura central é Díaz, um traficante que se esconde atrás da produção de bananas. Há muitos personagens paralelos, mas o principal é a própria ilha.

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ACERVO C&S

Coluna de 28/09/2018, aqui, mostrava filmes sobre um tema que está na berlinda hoje: o fascismo. 


Foto: Edward Norton em "A outra História americana"  /divulgação

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HAPPY END

Para encerrar: a melhor notícia da semana foi o sucesso do novo filme de Pedro Almodóvar na abertura do 78° Festival de Cinema de Veneza. “Madres Paralelas” levantou a plateia e recebeu aplausos durante nove minutos. O drama mostra duas mulheres que se conhecem quando vão dar à luz no mesmo hospital. Penélope Cruz é uma dessas mães e chegou à Veneza grudada naquele sobre quem ela declarou: "cada vez é um presente (filmar com Almodóvar), o início de uma viagem intensa e atraente. Sempre que ele me propõe um papel, eu penso: ‘Esse homem escreveu mais uma maravilha’. É inútil dizer que seu telefonema é o mais esperado”.

O filme estreia na Espanha em outubro. No Brasil, ainda não há data confirmada.


Foto: Agustin Almodóvar/divulgação

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THE END

*Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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