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terça-feira, 30 janeiro, 2024

Florianópolis: a jornada de uma cidade rumo à inovação

Foto: Letícia Mazzarino, co-fundadora da Nanoscoping, foi reconhecida como uma "Pesquisadora Inovadora" / Crédito: Iano Andrade.
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Florianópolis recebeu o Prêmio Nacional de Inovação 2023 na categoria “Ecossistema de Inovação de Grande Porte”. A premiação ocorreu em São Paulo, e durante o evento, o prefeito Topázio Neto destacou a importância da colaboração no desenvolvimento do ecossistema de inovação da cidade, que cresceu ao longo de quatro décadas e agora abriga mais de 4.500 empresas de tecnologia.

Florianópolis é conhecida por seu perfil inovador e empreendedor, tendo a maior densidade de startups por população no Brasil e sendo a segunda cidade com o maior número de startups no país. O ecossistema de inovação e empreendedorismo da cidade é composto por importantes habitats de inovação que potencializam o crescimento do setor.

Santa Catarina foi vencedora em cinco categorias do Prêmio Nacional de Inovação, com destaque para a empresa Nanoscoping, de Florianópolis, que conquistou prêmios nas categorias de Inovação de Produto e Inovação em Saúde e Segurança no Trabalho, além de Letícia Mazzarino, co-fundadora da Nanoscoping, que recebeu o prêmio na categoria Pesquisador Inovador. A Christal, de Timbó, também foi premiada na categoria Inovação para Sustentabilidade entre as médias empresas.

O setor de tecnologia em Santa Catarina tem experimentado um crescimento significativo nos últimos anos, com um aumento de 63,2% no número de empresas do setor entre 2015 e 2020. Atualmente, o estado conta com 17.720 empresas de tecnologia, representando o sexto maior ecossistema do país em número de empresas (Tech Report 2021). Em 2020, o faturamento total do setor foi de R$ 19,8 bilhões, equivalente a 6,1% do PIB catarinense, e o estado ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de produtividade. As empresas catarinenses também têm uma receita média de R$ 65,8 mil por colaborador/ano, superando a média nacional.

O Prêmio Nacional de Inovação é organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e reconhece o trabalho das empresas e ecossistemas que fomentam a inovação no Brasil.

O histórico de formação do ecossistema de inovação de Florianópolis remonta à década de 60, com a criação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a implantação de laboratórios e grupos de pesquisa. Nos anos 80, foi criada a Fundação CERTI e a primeira incubadora de base tecnológica do país, o CELTA. Nas décadas seguintes, surgiram outros parques tecnológicos e incubadoras, impulsionando o desenvolvimento do setor de tecnologia na cidade.

Hoje, Florianópolis abriga cerca de 600 empresas de software, hardware e serviços de tecnologia, empregando milhares de pessoas e contribuindo significativamente para a economia local. A cidade é reconhecida como um polo de inovação no Brasil e continua atraindo empresas e talentos na área de tecnologia.

Ecossistema de Tecnologia de Florianópolis: Uma história de conexões institucionais e muito trabalho

Há algumas décadas, Florianópolis vivenciou uma notável transformação no cenário econômico. Sem grandes indústrias, a cidade encontrou um campo propício para o desenvolvimento no setor de tecnologia da informação e comunicação. Essa escolha estratégica se alinhada com os atributos naturais de Florianópolis, uma ilha repleta de beleza natural que pressupõe a preservação ambiental. Assim, o setor de tecnologia cresceu e se tornou vital para o progresso econômico local.

As empresas de base tecnológica compõem um dos setores mais rentáveis da cidade, contribuindo para a arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS). Mas o impacto positivo não se restringe apenas a esse setor. O campo tecnológico impulsiona o crescimento de outras indústrias, como a construção e o turismo, atraindo eventos de negócios e, como resultado, promovendo a expansão dos serviços de consultoria em diversas áreas.

O sucesso da cidade é o resultado de ambientes que fomentam a criação e o desenvolvimento de empresas de tecnologia. Entre esses ambientes destacam-se as incubadoras CELTA e MIDI Tecnológico, bem como os parques tecnológicos Alpha e Sapiens. A competência das incubadoras de Florianópolis na geração de empresas inovadoras é amplamente reconhecida. A MIDI Tecnológico, por exemplo, foi eleita a Melhor Incubadora pelo Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador, promovido pela ANPROTEC, em 2008 e 2012. Anteriormente, a CELTA conquistou o mesmo prêmio três vezes (1997, 2006 e 2011).

As empresas incubadas em Florianópolis também conquistaram vários prêmios. Nas últimas 10 edições do Prêmio Nacional de Empreendedorismo Inovador da ANPROTEC, uma empresa incubada ou graduada em Florianópolis foi nomeada a melhor do Brasil em seis ocasiões.

Foto: UFSC / Crédito: Janine Alves

Florianópolis também se beneficia de suas instituições de ensino superior, com três universidades públicas e uma instituição privada contribuindo significativamente para a formação de profissionais altamente qualificados. A história do polo tecnológico de Florianópolis remonta à década de 1960, quando a Universidade Federal de Santa Catarina foi criada, introduzindo novos cursos e especializações no Instituto Federal. Essa expansão acadêmica deu origem a laboratórios e grupos de pesquisa, estabelecendo um ambiente propício para o conhecimento, inovação, pesquisa e desenvolvimento.

Nos anos 80, a Fundação CERTI, um centro de tecnologia e inovação, foi criada, assim como a primeira incubadora de empresas de base tecnológica do Brasil, que mais tarde se tornaria a CELTA. A Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) também foi fundada, juntamente com o Condomínio Industrial de Informática (CII) em Trindade.

A década de 90 trouxe a criação do Parque Tecnológico Alpha, que se tornou um espaço de inovação com mais de 70 empresas de tecnologia. A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC) também foi estabelecida para promover atividades de ciência, tecnologia e inovação. Em 1998, a incubadora MIDI Tecnológico foi criada, seguindo os passos da CELTA.

No início dos anos 2000, o LABelectron, um laboratório-fábrica para projetos e produtos eletrônicos, foi inaugurado. O projeto do Parque Sapiens também foi iniciado, planejando um parque de inovação de grande escala. Florianópolis ganhou destaque internacional em 2006, sendo nomeada uma das “10 Cidades Mais Dinâmicas do Mundo” pela revista Newsweek.

O ano de 2009 foi marcado pela criação do Parque Tecnológico ACATE, consolidando a Rodovia da Inovação, uma colaboração entre universidades, centros de tecnologia e clusters de empresas de tecnologia ao longo da SC 401. Nesse mesmo ano, a Lei de Inovação de Santa Catarina foi regulamentada, fortalecendo ainda mais o setor de tecnologia na cidade.

No ano seguinte, a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico Sustentável de Florianópolis (SMCTDES) foi criada, impulsionando o crescimento econômico da cidade. Em 2010, o logotipo “Capital da Inovação” foi lançado, simbolizando a identidade de Florianópolis como berço de iniciativas inovadoras.

Em 2011, a Lei Municipal de Inovação foi elaborada por meio de um processo colaborativo e aprovada pela Câmara Municipal. O Conselho Municipal de Inovação foi empossado em setembro, iniciando o processo de regulamentação da lei.

Foto: Acate / Crédito: Janine Alves, acervo pessoal.

As instituições fundamentais que moldaram o ecossistema de tecnologia de Florianópolis são a Fundação CERTI e a ACATE. A Fundação CERTI, fundada em 1984, promove o desenvolvimento tecnológico e a inovação no estado, gerenciando incubadoras, parques tecnológicos e programas de capacitação. A ACATE, fundada em 1987, representa o setor de tecnologia de Santa Catarina, promovendo o setor, oferecendo serviços para membros e apoiando pesquisa e inovação.

O ecossistema de tecnologia de Florianópolis é um exemplo de como a colaboração entre governos, universidades e setor privado pode transformar uma cidade em um centro de inovação e progresso tecnológico. A jornada de Florianópolis, desde suas origens acadêmicas até sua ascensão como um polo tecnológico de renome, é uma história inspiradora de visão, comprometimento e trabalho árduo. Hoje, Florianópolis é amplamente reconhecida como um hub de inovação, onde empresas e empreendedores se reúnem para moldar o futuro da tecnologia no Brasil e além.

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Janine Alves
Graduada em Economia e doutora em Gestão do Conhecimento, faz parte do Grupo de Pesquisa Interdisciplinar em Conhecimento, Aprendizagem e Memória Organizacional (Interdisciplinary research group on knowledge, learning and organizational memory), núcleo de excelência em pesquisa científica e tecnológica, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPGEGC/UFSC). Trabalhou como: professora da UFSC e Univali, colunista de economia do Grupo RIC Record (Jornal Notícias do Dia e Ric Record TV) e analista de economia na RBS - TV/ NSC - Diário Catarinense, Consultora de Economia Internacional para a CIP Cosultores – Espanha, Diretora do Escritório do Governo da Galicia/Espanha no Brasil, Diretora de Integração Internacional e Consultora de Economia do Governo de Santa Catarina (Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Assuntos Internacionais), etc.
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