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terça-feira, 16 agosto, 2022

Primeiro livro sobre dança contemporânea voltado para crianças em SC

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Não é possível medir com exatidão os resultados de um projeto cultural porque há sempre uma imensidão entre os processos criativos. As parcerias e as articulações entre diferentes pessoas e instituições, o olhar do espectador ou leitor… O que fica, quais os resíduos que se sedimentam quando tratamos do campo simbólico?

No entanto, no caso do livro “Corpo, Corpo Meu, que Dança Sou Eu?”, escrito por Jussara Xavier e ilustrado por Roberto Gorgati (foto de capa), não é descabido pensar em ressonâncias concretas, como a boa surpresa, o encantamento e o prazer da leitura dos pequenos leitores por ser, nesta segmentação, o primeiro na história editorial de Santa Catarina sobre dança contemporânea voltado a crianças. Não há nada igual.

Antes de tudo, a autora Jussara Xavier quis suprir uma lacuna na bibliografia brasileira sobre dança contemporânea para o público infantil. Os primeiros fulgores da ideia aparecem na coordenação de um dos seminários oferecidos pelo Festival de Dança de Joinville quando constata a escassez e começa o interesse em “desbravar caminhos pouco trilhados”.

Assim, sensibiliza o ilustrador Roberto Gorgati, monta o projeto e consegue viabilizá-lo pelo Edital Elisabete Anderle de Apoio à Cultura – 2021, cuja execução se estenderá entre 30 de junho e 8 de julho com lançamentos em Blumenau, Canelinha, Florianópolis, Joinville e São Miguel do Oeste, abrangendo as mesorregiões Grande Florianópolis, Vale do Itajaí, Norte e Oeste Catarinense. O edital possibilita a gratuidade do livro impresso e do e-book.

“Aprender a dançar pode ser muito divertido”, crê Jussara que tem um currículo extenso como diretora, pesquisadora, professora, gestora, curadora, bailarina, ensaiadora, jurada, avaliadora, parecerista e coordenadora de projetos culturais.  A publicação amplia o imaginário do universo da dança muito centrado na representação de uma bailarina no balé clássico e mostra que existem diferentes tipos de corpo e movimento.

Nesta entrevista, coordenada pela jornalista Néri Pedroso, ela fala da experiência desta criação, analisa os elementos motivadores do projeto e a satisfação alcançada com o livro pronto, feito em plena sintonia com o ilustrador, incluindo sugestões dele no texto e as dela nas ilustrações. “O melhor – e o que me encanta nas artes – é poder imaginar, é misturar tudo – dança, fala, desenho”, diz a autora do livro que será lançado em Florianópolis no dia 8 de julho, às 16h30, no Memorial Meyer Filho.

Foto Cristiano Prim

Como explicar a escassez bibliográfica sobre dança contemporânea voltada às crianças? Por que isso ocorre num tempo em que, neste universo, se fala tanto de arte e educação?

Jussara Xavier – Veja que o primeiro e único curso de graduação em dança em Santa Catarina foi implantado em 2017 e que não há neste contexto um único grupo de dança dedicado à produção profissional contínua de espetáculos de dança contemporânea voltados ao público infantil. Também são pouquíssimas as escolas e academias que oferecem o ensino de técnicas voltadas a um pensamento contemporâneo em dança às crianças. Quer dizer, ainda estamos engatinhando no sentido de pensar esta linguagem e a dança de maneira geral.

Em 2017 eu tive a alegria de coordenar o seminário “1, 2, 3 e já! A Criança Pinta, Borda e Dança” no Festival de Dança de Joinville. Foi uma oportunidade importante para falar sobre o assunto por aqui e difundir o trabalho de companhias pioneiras na produção de espetáculos dirigidos às crianças como a Balangandança e a Tugudum (ambas de São Paulo, a primeira fundada em 1997 e a segunda em 99). Enfim, penso que ainda estamos desbravando caminhos por aqui…

 

O conhecimento de dança no imaginário de um grande público está quase que só associado ao balé clássico. Esse foi um ponto de preocupação na criação do livro?

Jussara – Eu diria que foi um dos motivos que estimulou a criação do livro. Ao buscar fazer um levantamento acerca dos livros relacionados à dança e voltados ao público infantil no mercado editorial brasileiro, encontrei basicamente um conjunto de obras que reproduz a imagem da bailarina clássica ou que conta histórias dos balés clássicos de repertório. O livro deseja colaborar para ampliar a imagem social padrão e restrita que associa dança a um único tipo de corpo e movimento. E para mostrar que aprender a dançar pode ser muito divertido!

 

Como pensar numa linguagem voltada às crianças diante de um tema complexo como é a dança contemporânea?

Na minha visão os movimentos das crianças são autorais, são delas, são únicos. E a dança contemporânea é esse lugar de exploração daquilo que é singular num corpo, uma espécie de descoberta de algo que já está lá… Uma dança que se configura numa atitude de busca, de experimento, de risco. Talvez seja mais difícil explicar a dança contemporânea para os adultos, porque eles são mais apressados ou preocupados em rotular, julgar, codificar e domesticar comportamentos. A criança é mais curiosa e livre, mais desapegada de sua própria imagem, das formas e das fórmulas, e isso abre um terreno amplo de possibilidades. Livrar-se de preconceitos e ir a fundo nas próprias questões, para mim, é uma orientação totalmente contemporânea.

 

Quais os principais cuidados a serem tomados quando se quer mudar conceitos e ideias sobre o movimento?

Exercitar a escuta do outro, perceber brechas para estabelecer diálogos, identificar pontos de contato, semelhanças e diferenças. Cultivar a sensibilidade e investigar com coragem. Compartilhar sem impor.

 

Qual o maior desafio nesta aproximação de criar um produto inédito que aproxima dois pesquisadores de distintos campos de pesquisas, porém próximos? O que é o melhor neste projeto?

Eu já conhecia e admirava os desenhos e ilustrações do Roberto. Também havíamos trabalhado juntos na produção de “Ignorãça”, um espetáculo concebido e dirigido por mim no contexto da graduação em teatro da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), local em que na época ambos trabalhávamos como professores. Roberto fez a cenografia desta montagem. Então, confesso que foi tranquilo e divertido, houve troca, incluindo sugestões dele no texto e minhas nas ilustrações. O melhor – e o que me encanta nas artes – é poder imaginar, é misturar tudo – dança, fala, desenho…

Ignorãça  – Foto Clara Meirelles

 

Qual a importância da dança na infância, qual a importância de um livro e qual a importância de um livro sobre dança na infância?

A dança na infância tem uma importância imensa na medida em que investe no conhecimento de si, dos próprios limites e potencialidades comunicativas e expressivas. E, em consequência disto, desenvolve a habilidade para reconhecer o outro em suas diferenças. Dançar e ler estimulam o desenvolvimento da linguagem corporal, da nossa capacidade de ver, ouvir, tocar, falar, mover, pensar, conhecer, imaginar, criar, enfim, de ser. A importância de um livro sobre dança na infância? Para mim este livro será importante na medida em que conseguir despertar o interesse da criança (e quem sabe do adulto que a acompanha) para o movimento, para a dança.

Foto Cristiano Prim

Drops

O que é imprescindível: Ter amigos

Um desejo recorrente: Aprender a amar

O que mais fascina na dança: O ato de dançar

Corre para ver o quê: Meus filhos

Livro: “É Um Livro”, do Lane Smith

Um ídolo: Jesus Cristo, o único

Modéstia à parte: Eu não sou sem Aquele que é

Elegância: Saber quem se é

Florianópolis: Um lugar que eu amo

Infância: Brincando na rua sem medo

Palavra: Vida

Uma frase: “Ocupo muito de mim com o meu desconhecer”, do meu favorito Manoel de Barros

Na pandemia eu… adotei uma cachorra que me leva para passear!

 

 

SERVIÇO/FLORIANÓPOLIS

O quê: Lançamento do livro “Corpo, Corpo Meu, que Dança Sou Eu?”, de Jussara Xavier e Roberto Gorgati (ilustração)

Quando: 8.7.2022, 16h30

Onde: Memorial Meyer Filho, praça 15 de Novembro, 180, Centro, Florianópolis

Quanto: Gratuito

 

SERVIÇO/JOINVILLE

O quê: Lançamento do livro “Corpo, Corpo Meu, que Dança Sou Eu?”, de Jussara Xavier e Roberto Gorgati (ilustração)

Quando: 30.6.2022, 18h

Onde: Escola Municipal de Ballet, Casa da Cultura, rua Dona Francisca, 800, Saguaçu, Joinville

Quanto: Gratuito

 

SERVIÇO/CANELINHA

O quê: Lançamento do livro “Corpo, Corpo Meu, que Dança Sou Eu?”, de Jussara Xavier e Roberto Gorgati (ilustração)

Quando: 30.6.2022, 14h

Onde: Casa Sant’anna, av. Joaquim José de Sant´Anna, s/nº, Centro, Canelinha

Quanto: Gratuito

 

SERVIÇO/BLUMENAU

O quê: Lançamento do livro “Corpo, Corpo Meu, que Dança Sou Eu?”, de Jussara Xavier e Roberto Gorgati (ilustração)

Quando: 7.7.2022, 16h30

Onde: Alameda Haus, alameda Rio Branco, 165, Centro, Blumenau

Quanto: Gratuito

 

SERVIÇO/SÃO MIGUEL DO OESTE

O quê: Lançamento do livro “Corpo, Corpo Meu, que Dança Sou Eu?”, de Jussara Xavier e Roberto Gorgati (ilustração)

Quando: 7.7.2022, 18h30

Onde: Studio de Dança Adriana Staudt, travessa Goiás, 80, centro, São Miguel do Oeste

Quanto: Gratuito

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa e Santa Catarina: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.
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