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terça-feira, 30 janeiro, 2024

Charles Dickens, Bergman e Milan Kundera

Olivia Colman, Shalom Brune-Franklin e Fionn Whitehead em "Great Expectations" (Foto: Divulgação/ Star+)
Últimas notícias

As infinitas possibilidades da obra de Dickens

Charles Dickens, o mais popular dos autores ingleses, teve vários romances adaptados para as telas, entre eles, “Oliver Twist”,“ Um conto de natal” e “ David Copperfield”. Mas, mesmo sem estatística formal, me atrevo a dizer que nenhum supera “Grandes Esperanças” (Great Expectations), publicado em 1861.

Acaba de chegar à plataforma Star+ a mais nova adaptação de “ Grandes Expectativas”, uma minissérie em seis capítulos, com o selo de qualidade da BBC e a presença luxuosa de Olivia Colman no elenco. Ela interpreta a manipuladora e excêntrica Srta. Havisham, uma espécie de mentora do jovem Pip, órfão criado por uma irmã malvada e o marido dela, um amável ferreiro que lhe ensina a profissão. Pip sonha em estudar, ter uma vida de riqueza e ascensão social. Além da Srta. Havisham, outra figura terá muita importância no futuro do rapaz: Abel Magwitch, um foragido da polícia a quem Pip dá abrigo e comida. (Veja o trailer)

A história é tão boa que rendeu mais de dez filmes entre 1909 e 2012. Uma das adaptações mais famosas é a de Alfonso Cuarón (1998) que modernizou a trama e reuniu Ethan Hawke, Gwyneth Paltrow e Robert De Niro em tempos atuais. A outra é a de Mike Newell (2012), com Ralph Fiennes e Helena Bohann Carter [ disponível no Telecine/Now].
Eu gosto muito da minissérie de 2012, também da BBC, mas em três episódios, com Gilliam Anderson e o ator Ray Winstone, fazendo meu Magwitch favorito.

Uma das versões mais antigas de “Grandes Esperanças” foi dirigida pelo grande David Lean e recebeu o Oscar de Melhor Direção de Fotografia e Melhor Direção de Arte, em 1948. Ela está disponível – em preto e branco- no YouTube.

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Novidades

Círculo Fechado – 06 episódios – direção: Steven Soderbergh – HBO Max

Depois do fracasso de “The Idol”, essa é a grande aposta da HBO para o semestre e promete fazer jus à espera, pois tem direção de Steven Soderbergh ( Sexo, mentiras e videotapes e ) e o roteirista de “Os homens de preto”. Trata-se de uma trama investigativa complexa , a partir de um sequestro que depois vai cruzando presente e passado. O elenco também é interessante: Claire Danes ( da série Homeland), o galã Thimoty Olyphant e o veterano Danis Quais. A HBO vai disponibilizar dois episódios por semana. (Veja o trailer)

 

O poder e a lei – 2 temporadas – Netflix

Chegou a 2ª temporada de “ O poder e a lei”, baseada nos livros de Michael Connely, autor que já rendeu a ótima série “Bosch” ( disponível no Prime). É uma boa pedida para quem curte suspenses jurídicos. O protagonista foi inspirado em advogados reais, inclusive pela peculiaridade de Mickey Haller preferir estudar seus casos dentro de um Lincoln, dirigido por uma ex-cliente. Aliás, o título original da série é “ The Lincoln Lawyer “. Haller também tem coisas em comum com Bosch, o grande personagem de Connely, como gostar de ouvir jazz e morar no alto de uma montanha de Los Angeles, ser separado da mulher e ter uma filha fofa.

Na 1ª parte, Haller – livre do vício em analgésicos após sofrer um acidente surfando – herda todos os casos de outro advogado, misteriosamente assassinado. Ele tem pouco tempo para se inteirar dos casos e defender os clientes do morto, inclusive um milionário acusado de matar a esposa e o amante dela. É a chance de Haller recuperar sua carreira após um ano na rehab. Na 2ª, ele acaba virando o advogado que curte ser famoso.

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Filmes

As principais plataformas parecem mais interessadas em investir em novas séries do que em filmes de qualidade. Apesar do “garimpo”, tem sido difícil encontrar bons títulos.

 

Close – direção: Lukas Dhont – 2023 – Mubi (Prime)

Esse é um daqueles filmes delicados, sutis e tristes. A história gira em torno de Léo e Remi, de 13 anos, amigos inseparáveis até irem para a nova escola da região agrícola onde moram. Lá, a observação dos colegas sobre afeto tão profundo entre a dupla, muda tudo. Os dois jovens atores são das melhores coisas de “Close”: Eden Dambrine e Gustav De Waele certamente têm uma carreira de bem sucedida pela frente. O filme fez muito sucesso no Festival de Cinema de Cannes e representou a Bélgica no Oscar 2023.

 

O eterno feminino – direção: Natalia Beristáin – 2018 – Netflix


Outro filme para quem gosta de histórias densas, contadas em um ritmo que pode ser considerado lento para quem prefere cenas de ação. É a história real da escritora, poetisa e ativista feminista no México dos anos 50, Rosário Castellanos. A trama começa quando ela lança um de seus principais livros e reencontra Ricardo Guerra, um filósofo e grande amor de seu passado. Aos poucos, ele começa a demonstrar ciúmes da dedicação de Rosario à sua escrita e ao ativismo. A situação se agrava quando o marido começa a ser infiel e a interferir no trabalho e aspirações da escritora. Através da vida de Rosário, o longa faz um retrato da luta contra o machismo no México. As atuações de Karina Gidi e Daniel Giménez Cacho foram muito elogiadas.

 

O assassino perfeito – direção: Richard Hughes – 2023 – Prime Vídeo

Para não dizerem que só sugeri filmes sérios demais: esse longa de ação mostra, segundo a sinopse oficial, um agente da máfia que sacrifica tudo e vai contra sua própria organização depois de descobrir que sua chefe está envolvida com o tráfico de mulheres. Ele fará de tudo para salvar uma jovem, vítima da quadrilha, e encontrar sua própria redenção. Se for muito fraco, sempre vale pela presença de Antonio Banderas.

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Destaque na tela grande

A Noite do Dia 12 – direção: Dominik Moll – França – 2023

Somando seis prêmios César, considerado o mais importante do cinema francês, ‘A Noite do Dia 12’ está em cartaz no Paradigma Cine Arte, SC-401, Florianópolis. Com direção de Dominik Moll, o suspense é baseado em uma história real de feminicídio. O filme fica disponível até a próxima quarta-feira, 19 de julho.

A narrativa acompanha Yohan (Bastien Bouillon), um investigador obcecado pelo caso de feminicídio contra Clara Royer (Lula Cotton-Frapier), uma jovem de 21 anos, brutalmente assassinada. As cenas demonstram a culpabilização e desumanização das vítimas, abordando o machismo que mata as mulheres há séculos.

Outras produções em cartaz no Paradigma: ‘A História da Minha Mulher’ dirigido por Ildikó Enyedi, na sessão de 13h30, ‘Klimt & Schiele – Eros e Psyche, de Michele Mally, na sessão das 16h45 e ‘Eu, Leonardo Da Vinci’, com direção de Jesus Garces Lambert, às 20h50.

No sábado, 15 de julho, haverá o debate Cinema e Psicanálise, após a sessão do longa  ‘Klimt & Schiele – Eros e Psyche.

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Especial: Ingmar Bergman (14/07/ 1918 – 30/07/2007)

104 anos do nascimento do mestre dos mestres

Creio que poucos hoje jovens teriam paciência para o cinema de Ingmar Bergman, mas o diretor sueco fez a cabeça da minha geração. Incluo-me na turma que pirou com a obra bergmaniana. Talvez eu não tivesse maturidade suficiente na época para entender todos os sentimentos e reflexões de “ Persona” (1966) e “ Gritos e Sussuros” (1972), mas saía impactada do cinema. Não eram filmes feitos para entreter, mas para pensar. Ele ia fundo na alma humana, mas sem apelar para o sentimentalismo e violinos melosos tão comuns às produções de Hollywood.

Tenho entre meus favoritos, dois filmes dele em preto e branco: “O sétimo selo” e “Morangos silvestres”, ambos de 1957. Falando em público jovem atual deparo-me com o seguinte comentário sobre “O sétimo selo”: Filminho meia boca que não se decide entre comédia e drama, com um fundo filosófico extremamente pretensioso e entediante. As atuações na maior parte do tempo estão no nível amador de um teatro mal feito. Abro mão de comentar o comentário do rapaz.

Bergman foi premiado várias vezes na Europa, mas também ganhou três Oscars de melhor filme estrangeiro : em 1960 por “A Fonte da Donzela”, no ano seguinte por “Através de um Espelho” e em 1983 por “Fanny e Alexander”. Cannes o homenageou tardiamente, em 1997, ao outorgar a “Palma das palmas”. É o único cineasta até hoje a receber esse prêmio. Uma coisa é certa: Bergman influenciou outros cineastas, como Woody Allen, que o considera o melhor diretor da história do cinema.

Para quem se interessa em conhecer a obra do sueco, as plataformas têm alguns títulos disponíveis. Há também no canal Mubi (Prime) o filme “A ilha de Bergman”, ficcional sobre um casal de cineastas que se abriga na Ilha de Faro, local onde Ingmar viveu e se inspirou para criar. Outra curiosidade é o remake da HBO, em forma de série ,do grande sucesso “ Cenas de um casamento”(1974). Por ocasião do centenário de Bergman, a diretora alemã Margarethe Von Trotta filmou “ Procurando Bergman”. Ela decidiu trabalhar com cinema depois de assistir “ O sétimo selo”. O Canal Curta também disponibiliza o curta “ Ingmar Bergman -Por trás da máscara”.

 

ADEUS A MILAN KUNDERA (1°/04/1929 – 12/07/2023)

A coluna já estava pronta quando veio a notícia da morte de Milan Kundera, aos 94 anos, após “uma longa doença”. O escritor e dramaturgo tcheco é autor de “A insustentável leveza do ser” (1984) , romance que gerou aquela que é considerada uma das melhores adaptações cinematográficas de uma obra literária. O livro parecia quase inadaptável, mas virou um clássico do cinema pelas mãos do diretor Phillip Kaufman e de Jean-Claude Carriére, considerado um dos melhores roteiristas europeus.

O elenco foi fundamental para o resultado extraordinário: Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche e Lena Olin. Lewis e Binoche, então muito jovens, e a sueca Lena, trazendo a experiência de quem já havia trabalhado com Ingmar Bergman.

Ambientada em meados dos anos 60, em Praga, a história mistura política, amor e sexo, tendo Tomas – um médico que se diz apolítico – como um dos vértices. Um dia, ele conhece a garçonete Tereza, que sonha em ser fotógrafa, e os dois se apaixonam. Mas, ele mantém um caso também com Sabina, uma refinada artista plástica, que assim como o amante, não pretende que o relacionamento vá além de sexo. Esse triângulo acaba afetado pelos acontecimentos da “Primavera de Praga”, expondo a dualidade do peso/leveza na existência humana e a importância da liberdade na busca da felicidade.

O filme está disponível para alugar na plataforma Apple TV e também em DVD.

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THE END

 

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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