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domingo, 29 maio, 2022

Histórias que não foram feitas para crianças

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Iaiba Hazrat, 6 anos, refugiada afegã
Foto: Muhammed Muheisen.

Quem acompanha a coluna sabe que o drama dos refugiados mexe muito comigo. Sou voluntária da causa há alguns anos, mesmo sabendo que é uma gota no oceano. Como ficar indiferente à dor de quem precisa deixar para trás casa, país, família, amigos, o próprio idioma?

Quem não conhece a realidade de milhões de pessoas em deslocamento no mundo, pode estar estarrecido com a fuga dos ucranianos depois da invasão da Rússia. Estão vendo a tragédia da guerra, ao vivo. Felizmente, no caso da Ucrânia, os refugiados estão sendo recebidos de forma fraterna por cidadãos poloneses. Não resolve, mas ameniza.

Tristemente, para outras etnias, a empatia não é tão grande. Seria impossível esquecer a imagem de Alan Kurdi, o menino sírio de três anos, cujo corpo chegou à praia na costa da Turquia, depois do naufrágio com pessoas buscando refúgio, não? Mas o mundo esqueceu…

As crianças são as maiores vítimas. Milhões nasceram no exílio, enquanto os pais viviam em campos de refugiados. Como o somaliano Mahmoud, de 12 anos, que vai à escola no campo e ainda sonha: “Quando eu terminar meus estudos, quero me tornar presidente do meu país. Eu quero voltar para a terra de onde vim, a Somália. Abrirei unidades de saúde, hospitais e escolas gratuitas para todos.” Outros sonham ( até quando ?) em ser piloto, engenheiro, bailarina…

“Por que a vida é tão dura”?, pergunta Ivine, a menina que foi forçada a fugir de casa com a família por causa da guerra. Assim como Mustafá, o garoto que sente falta dos brinquedos e dos amigos que deixou pra trás. Eles são narradoras da própria história na série “Histórias que nunca foram feitas para crianças”, da Unicef- Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância.


Licença de atribuição Creative Commons (reutilização permitida)

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FILMES

O cinema já mostrou vários recortes sobre essa crise humanitária. Os três filmes abaixo são recomendados pela ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados e estão disponíveis na Netflix.

Sergio – direção: Greg Barker – 2020
O legado do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que iniciou sua trajetória no trabalho humanitário pela ACNUR, volta a ser tema do diretor do longa original da Netflix. Barker já havia dirigido um documentário homônimo sobre Sergio, também disponível na plataforma. Interpretado por Wagner Moura, o humanitário é retratado com as peculiaridades que o fizeram ser referência em diplomacia e resoluções de conflito: o carisma, a capacidade de estabelecer conexões e o empenho pelo trabalho em campo, próximo aos mais vulneráveis. O trágico episódio que provocou sua morte, além de outros vinte e um colegas, também é mostrado.

Primeiro, Mataram o Meu Pai – direção:Angelina Jolie – 2017
Este é o quinto filme dirigido por Angelina Jolie. Aqui, ela traz toda a sua vivência como Enviada Especial da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) ao dirigir um drama sobre Loung Ung (Sareum Srey Moch), sobrevivente do regime do Khmer Vermelho, no Camboja. Cerca dois milhões de pessoas morreram. Ainda criança, Loung vê sua família ser obrigada pelo exército a fugir e, portanto, se separar. A garota é coagida a se tornar criança-soldado, e participa de um treinamento para órfãos, enquanto seus irmãos são enviados a campos de trabalhos forçados.

Capacetes Brancos -documentário de Orlando von Ensiedel- 2016
Um grupo de voluntários conhecidos por “Capacetes Brancos” se mobiliza diariamente para prestar primeiros socorros às vítimas de ataques aéreos na Síria. Seus integrantes, muitos deles estudantes ou jovens opositores ao regime, ficaram conhecidos pelos vídeos divulgados nas redes sociais, nos quais apareciam resgatando sobreviventes entre os escombros, sempre equipados com seus emblemáticos capacetes. A equipe foi candidata ao Prêmio Nobel da Paz em 2016.

O documentário, que venceu em 2017 o Oscar de melhor documentário em curta-metragem, ambienta quem assiste aos motivos que levam mais de 6,7 milhões de sírios a serem forçados a saírem do seu país, segundo dados do ACNUR.


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SÉRIES RECÉM CHEGADAS

A amiga genial (My brilliant friend) – 3ª temporada – HBO/ HBO Max
Demorou, mas chegou a terceira temporada da série baseada na tetralogia da misteriosa escritora italiana, Elena Ferrante. O centro da trama é a amizade de duas garotas, Lina e Lenu,que crescem em um bairro pobre de Nápoles, na Itália. Inteligentes e observadoras, elas vivem uma intensa relação de colaboração e competição, enquanto buscam ir além da realidade violenta, machista e sem perspectivas em que vivem.

Nessa nova etapa que se passa em 1970, Lina trabalha como operária e Lenu já escreveu um romance, o que era o sonho de ambas. Ao todo, são oito episódios.
As 1ª e 2ª temporadas estão disponíveis no canal.

Ninguém pode saber – minissérie – Netflix
Por se tratar de uma série de suspense dramático vou evitar spoilers. Basicamente: uma jovem volta à pequena cidade para cuidar da mãe que se recupera de uma cirurgia. Um dia, elas presenciam um atentado enquanto conversam numa cafeteria. A partir daí, segredos e mistérios guardados pela mãe, interpretada pela atriz de “O Sexto Sentido”, Toni Collette, começam a aparecer. As reviravoltas são muitas, misturando cenas de passado e presente, numa situação de vida ou morte.

Citas – Encontros – 2 temporadas – Claro Vídeo
Descobri essa série catalã quase por acaso, durante um “garimpo” minucioso nos canais da Net. O gênero é comédia romântica com pitadas de drama. Os episódios são independentes. Cada um conta duas histórias do primeiro encontro de casais que se conheceram pelas redes sociais e nunca se viram antes. O que os espera? A pessoa era o que dizia ser na internet? Alguns que buscam um novo amor – ou apenas sexo casual – têm boas surpresas, outros nem tanto…

O criador é Pau Freitas, um dos mais famosos produtores e diretores espanhóis de séries para TV.


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EXTRA

COMO AJUDAR FAMÍLIAS REFUGIADAS

– ACNUR https://www.acnur.org/portugues/ajude-os-refugiados/
– Em Santa Catarina, contate @circulosdehospitalidade (Instagram) ou https://circulosdehospitalidade.org.
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THE END
*Fotos: reprodução/divulgação

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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