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quarta-feira, 31 janeiro, 2024

Mais um ano, menos um ano

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Mais um ano, menos um ano

Mais um ano, menos um ano

                                             Esse estranho que mora no espelho (e é tão mais velho do

                                  que eu) olha-se de um jeito de quem procura adivinhar quem sou. (M.Q.)

 

O primeiro dia do ano costuma trazer ressaca, fofocas da festa da virada e, para os mais otimistas, esperança em dias melhores. Outros encontrarão a pia cheia de louça para lavar e sobras da ceia para o almoço. Aos mais velhos, lembra também que já gastamos mais um ano da cota que nos resta. Não faço disso um drama, apenas uma constatação.

Esta marca da passagem do tempo é uma invenção humana. Guiamo-nos pelo calendário gregoriano, de 1582, que mede o ano em trezentos e sessenta e cinco ou trezentos e sessenta e seis dias, dependendo se é bissexto ou não. O calendário cristão foi aprimorado, mas não é perfeito. Até 4909, ele estará um dia adiantado. Mas, o que nos importa isso, se até lá já seremos poeira cósmica, não é mesmo? Os sobreviventes que resolvam o problema.

Astronomia à parte, temos outros indicativos do tempo passando. Cada mancha na pele, cada articulação doendo, os cabelos rareando ou embranquecendo, nos recordam disso. Não chegamos a perceber bem o processo. Um dia, a gente se olha no espelho, e …peço ajuda a Mário Quintana para explicar melhor.

Por acaso, surpreendo-me no espelho:

Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu? (…)

Parece meu velho pai – que já morreu! (…)

Nosso olhar duro interroga:

“O que fizeste de mim?” Eu pai? Tu é que me invadiste.

Lentamente, ruga a ruga… Que importa!

Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre (…).” (Espelho)

Só notamos a mudança de etapa quando ela chega. Não passamos a vida pensando em envelhecer, até porque achamos que isso nunca irá acontecer conosco. Forever young...

Mas é 2022, e já aconteceu.

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MICROCONTO DE DOMINGO

Desafio proposto pelo professor e escritor Robertson Frizero ao grupo do @literaturaminima: miniconto em cinquenta palavras com o tema “Quando descobri a palavra mãe” (maio/2021).

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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