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terça-feira, 30 janeiro, 2024

Memórias ou vagas lembranças

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Memórias ou vagas lembranças

Quem nunca teve certeza absoluta  de que lembrava de um fato como realmente aconteceu e depois descobriu que não era bem assim? Nossa capacidade de armazenamento deixa a desejar. Com o tempo, misturamos as histórias, esquecemos trechos, até assumimos lembranças alheias como se fossem nossas.

Por causa desse HD falho surgem as contendas entre as partes – foi assim; não, foi assado… Isso acontece entre amigos e mais ainda entre casais que já vivem juntos há muitos anos. A discórdia pode durar dias. Pior mesmo é quando os outros têm que esperar até a dupla chegar a um acordo ou encerrar o embate, para a conversa continuar.

Com as novas tecnologias ficou mais fácil guardar provas para usar na hora da divergência. É só procurar entre as 12.384 fotos que estão no celular e falar, cheio de si, para o teimoso: – está aqui, ó, o restaurante ficava em frente ao cemitério da Recoleta e não em San Telmo! . Se é tão importante? Não. Se faz muita diferença? Não. Mas, eu quero estar certo, afinal lembro tão nitidamente daquilo!

Estou escrevendo um novo livro de crônicas. São memórias de minha ligação com o cinema. O primeiro filme que vi, o cinema de rua, estratégias para ver filmes sem ter idade, as matinês duplas da adolescência, enfim, lembranças de quem é cinéfila desde criancinha. Escrevi com a certeza de que tudo aconteceu daquele jeito. Mas podem aparecer testemunhas das aventuras cinematográficas para discordar de alguma coisa.

Na maioria das vezes é impossível saber quem está com a razão, então não adianta levar o caso às barras do tribunal. Vamos ficar eternamente – eu tenho certeza! Ah, mas eu também.

Se for confrontada, já pensei em um jeito de encerrar a discussão:

– As lembranças são minhas. Se você quiser mudar, escreva seu próprio livro!

Um pouco pueril, eu sei. Acho que eu tinha uma saída melhor, mas já não lembro mais.

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Desafio proposto pelo professor e escritor Robertson Frizero para o coletivo Literatura Mínima: um conto em 50 palavras sobre alguma grande mulher. Escolhi uma de quem poucos conhecem a história e sua importância para o Cinema.

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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