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terça-feira, 30 janeiro, 2024

Novas séries trazem muito sexo e pouca originalidade

Carolina Miranda e Rodolfo Salas em " Perfil Falso" (Foto: Divulgação/Netlifx)
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Assisti no final de semana duas séries que têm em comum pouca originalidade e muitas cenas  “quentes”. Nada contra  cenas de sexo, mas a inserção gratuita e sem sentido chega a ser irritante. O roteirista precisaria ser sutil para esconder que aquilo está ali apenas como uma isca apelativa.

Uma delas é “Perfil falso”, série colombiana disponível na Netflix. O enredo é o básico: depois de viver uma ardente paixão, Camila descobre que o amado não é quem diz ser. O cirurgião Dr. Fernando era na verdade Miguel, um engenheiro casado com uma milionária, com quem tem dois filhos. Camila, claro, quer vingança e se muda para o sofisticado condomínio colombiano onde o traidor vive com sua família. Antes disso, os dois vivem cenas tórridas. Como se não bastasse, o cunhado gay de Miguel, que vive no mesmo condomínio do pai dominador, um rico executivo que sempre humilha o genro, decide casar com o companheiro de cinco anos. Mas, ele é tentado por um garçom que trabalha no seu restaurante e tudo acaba em ménage trois. Acho que já dei spoilers suficientes. O problema é que lá pelas tantas há reviravoltas na trama e quem é vilão vira o coitadinho e vive versa. Por que ? Porque o roteirista precisava esticar a série para dez episódios. Bem, independente da má vontade desta colunista com a produção colombiana, informo que ela acaba de ser renovada pela Netflix. Seus fãs exigiram uma segunda temporada e a terão.

 

A outra é “ Swimming with sharks” ( Nadando com tubarões), adaptada do filme de 1990, “O preço da ambição”. É uma produção bem mais sofisticada que a colombiana e traz nomes estelares no elenco. Kiernan Shipka, a jovem atriz de “Mad Men” e de “A estrela de Sabrina” interpreta Lou, uma estagiária que vai trabalhar com sua ídola, Joyce Holt, a CEO de um grande estúdio de Hollywood. Humilhada no início, Lou vai ganhando espaço e ascendendo na carreira, usando métodos pouco corretos. Obcecada por Joyce, vivida pela bela Diane Kruger, a aparente ingênua estagiária fará de tudo para participar da vida da empresária. Tudo mesmo. No elenco está também o veterano Donald Shuterland,  vivendo o asqueroso presidente do estúdio. O suspense agradou o público americano e já se fala em uma segunda temporada.

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Outra novidade em série

O jardim de bronze –  3 temporadas – HBO Max

Não sei por que a HBO não colocou em destaque a chegada da segunda temporada dessa interessante série argentina. A primeira – com oito episódios – chegou em 2017 e mostra o arquiteto Danúbio buscando desesperadamente sua filha Moira, sequestrada aos quatro anos. A história cheia de ação e suspense é baseada no best-seller de mesmo nome, El Jardín de Bronce, escrito por Gustavo Malajovich.

A segunda temporada, de 2019, entrou há pouco na plataforma  brasileira e a trama não faz parte do livro, mas foi escrita pelo mesmo Malajovich. Não quero dar spoiler, mas Danúbio já aparece em outra fase da vida e decide ajudar uma mãe cujo filho desapareceu. O ator principal é Joaquin Furriel que carrega um olhar de tristeza infinita pelo trauma sofrido ( além de ser bonito…). Outros nomes interessantes do elenco: a diva Norma Aleandro e Eduardo Luque que faz um dos personagens mais envolventes da série, o detetive Doberti.

A outra boa notícia é que o canal está disponibilizando semanalmente os episódios da terceira temporada. Os dois primeiros já estão lá.

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Filmes recém chegados

Retorno da lenda (Old Henry)– direção: Potsy Ponciroli – 2021 – Netflix

Um presente para quem gosta do gênero, esse western mostra a vida pacata de Henry e seu filho adolescente num rancho isolado. O garoto quer  ir embora e ver outras coisas no mundo. O pai não o deixa nem se aproximar de armas. Um dia, eles encontram um homem ferido e uma sacola cheia de dinheiro. Levam-no pra casa para tratá-lo. Logo, três homens se dizendo policiais aparecem atrás do ferido e da grana. Aí, acaba a paz de Henry e acabamos sabendo quem ele realmente é.

No elenco estão Tim Blake Nelson ( do ótimo “A balada de Buster Scruggs” e de “ E aí, meu irmão, cadê você ?”) e Stephen Dorff.

Till – A busca por justiça- direção : Chinonye Chukvu – 2023-Prime

Drama biográfico de Emmett Till e a luta judicial de sua mãe, Mamie Till. Em 1955, Emmett viajou de Chicago para o Mississippi para visitar seus primos. No sul racista, o jovem de 14 anos foi acusado de ter assoviado para uma mulher branca. Ele foi sequestrado e assassinado por dois homens brancos de forma brutal. Dias depois sua mãe receberia o corpo em Chicago, onde mostraria para todo mundo o estado mutilado e inchado do corpo. A morte de Emmett Till posteriormente ajudaria no Movimento dos Direitos Civis. No elenco estão Danielle Deadwyler, Jalyn Hall e Whoopi Goldberg.

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A cara do Cinema

Daniel Day-Lewis ( 29/04/1957 – Greenwich, Londres, Reino Unido)

Para minha surpresa, dois amigos relataram terem visto somente agora  “ Sangue Negro”, que acaba de entrar na Netflix, embora seja um filme de 2008. Ambos ficaram impactados com o longa e com a interpretação de Daniel Day-Lewis. O filme do aclamado Paul Thomas Anderson deu a Day-Lewis o segundo Oscar de Melhor Ator. Em 1989, ele ganhou por “Meu pé esquerdo” e em 2012, por “Lincoln”, onde vive o papel-título. Isso o fez ser o maior vencedor da categoria para a qual foi indicado seis vezes.

Então por que um ator tão extraordinário resolveu se aposentar em 2017, aos 60 anos ? Depois de certo mistério, Daniel declarou que decidiu parar por causa da imensa tristeza que tomou conta dele ao filmar “ Trama Fantasma”, também de Paul Thomas Anderson. É importante que se diga que o ator usa o chamado “Método”, criado por Lee Strasberg, para compor seus personagens, ou seja, mergulha profundamente na psique de quem vai representar. Em “Gangues de Nova York”, de Martin Scorsese, por exemplo, o ator chegou a fazer um curso de açougueiro para compor o cruel Bill, o Carniceiro.

Além de ser um ator extraordinário, Lewis soube escolher os papéis e os diretores com quem ia trabalhar. É difícil encontrar em sua filmografia um filme “mais ou menos”.

Se você quer conhecê-lo mais, seguem alguns dos melhores ( ou dos que mais gosto!), quase todos disponíveis nas plataformas.

A trama fantasma ( 2017) –  o filme que o levou a abandonar o cinema Prime Vìdeo e outros

Nine ( 2009) – onde mostrou que é bom também de musical – Film&Arts/Claro Vídeo

Sangue Negro (2007) – filme épico em todos os sentidos – Netflix

Gangues de Nova York – de Martin Scorsese – Star +

A época da inocência (1993) – de Martin Scorsese, com Michelle Pfeiffer, uma beleza de filme – Apple TV e Prime Vídeo

Em nome do pai  (1993) – o doloroso filme irlandês que abriu sua carreira para o mundo – Prime Vídeo

A insustentável leveza do ser (1988) – esse talvez seja o único filme que se diz ser melhor que o livro e ainda tem a Juliette Binoche no elenco– Apple TV

Uma janela para o amor (1986)- no belo filme de James Ivory vive o personagem de Cecil Vyse;

Outros: Lincoln (2012) – responsável por seu terceiro Oscar; O último dos moicanos, O lutador, O mundo de Jackie e Rose, As bruxas de Salém.

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A cara da rebeldia

Zé Celso [30/03/1937 – 06/07/2023]

Estava finalizando a coluna quando veio a notícia da morte de José Celso Martinez, diretor de teatro, dramaturgo e ator revolucionário. Seu estilo antropofágico e orgiástico  incomodou muito o regime militar, com apresentações irreverentes no seu Teatro Oficina.

Zé Celso também fez cinema, inclusive dirigiu a versão para as telas de sua peça mais famosa, “O rei da vela” (1982). Foi também roteirista do icônico “Prata Palomares” (1971). Como ator, seu último trabalho no cinema foi em “Fédro” (2021), documentário que promove o reencontro do diretor com o ator Reynaldo Gianecchini.

Com sua despedida trágica e estridente [ele morreu aos 86 anos em consequência de um incêndio em seu apartamento] o Brasil, certamente, fica mais careta. Viva o Zé!

 

FIM

 

 

 

 

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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