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terça-feira, 30 janeiro, 2024

O aniversário da coluna e as novidades da semana

Elenco da 7ª temporada de "Billions" (Foto: Divulgação/Netflix)
Últimas notícias

E lá se vão seis anos dos nossos encontros semanais aqui na coluna!  Desde agosto de 2017, publiquei duzentos e cinquenta posts, com centenas de filmes e séries. Cheguei sem a pretensão de fazer crítica cinematográfica, apenas querendo bater papo sobre uma de minhas paixões, o cinema, o que passou a incluir também minha mania pelas séries televisivas.

Como a primeira edição a gente nunca não esquece, lembro de ter destacado a série “Billions”, escolhido Burt Lancaster e Deborah para abrir a seção “Beijo de Cinema”; e “A insustentável leveza do ser” como “O livro que virou filme”. Na seção “Eu recomendo”, o querido jornalista Pedro Leite – ex-colega na RBSTV, com quem conversava sobre cinema e sobre a vida na hora do almoço – recomendou “Era uma vez na América”, filme maravilhoso de Sérgio Leone.  E hoje, no 6º ano da coluna, o que Pedro indica para os leitores da coluna? Adianto que é um filme que gosto muito.

Para comemorar a data, vamos revisitar e atualizar a nossa estreia. E muito obrigada pela audiência ao longo desse tempo.

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Billions – 7ª temporada –Paramount + ( da 1ª a 5ª – Netflix)

Pensem em uma coincidência: a 7ª temporada de “Billions” estreia nesse domingo (13/08/2023) no Showtime, canal responsável pela produção! Se você é assinante do canal Paramount+ pode ver dois dias antes. Essa será também a despedida da série que traz Paul Giamatti no papel do rígido procurador da Justiça, Chuck Roades, em conflito permanente com Bobby Axelrod,interpretado por Damian Lewis, um bilionário que fez fortuna usando métodos pouco ortodoxos em Wall Street. Entre eles, Wendy, a mulher de Chuck, assessora psicológica na empresa do arquinimigo do marido. Os dois homens vivem como gato e rato nas cinco temporadas. Na sexta, Damian Lewis deixou o elenco, após a morte de sua esposa, a atriz da série “Peaky Blinders”, Helen McCrory. Seu personagem foge para a Suiça para fugir do processo em Nova York.

Na recém chegada 7ª temporada, Lewis volta para as despedidas em seis dos doze episódios. O que diz a prévia sobre a nova trama: as alianças serão viradas de cabeça para baixo. Velhas feridas serão transformadas em armas. Lealdades serão testadas. A traição assume proporções épicas. Os inimigos tornam-se amigos cautelosos. E Bobby Axelrod retorna, à medida que as apostas crescem de Wall Street para o mundo”.

Para os órfãos de “Billions”, uma boa notícia: a série terá vários spin-off ( histórias derivadas da original).Os primeiros se chamarão “Millions” e “ Trillions”.

 

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O livro que virou filme

A insustável leveza do ser  (1984) – autor: Milan Kundera

Literatura e cinema andam juntos desde o surgimento da sétima arte. Grandes livros geraram filmes inesquecíveis. Quase nunca o leitor concorda com a versão cinematográfica, mas controvérsias à parte é sempre interessante assistir o resultado nas telas. “ A Insustentável Leveza do Ser” é um dos raros casos em que leitores e espectadores ficaram satisfeitos com a adaptação. Tem até quem diga que o filme é melhor que o livro do tcheco Milan Kundera, considerado um dos grandes escritores do século XX. Lançado em 1984, o romance conta a história de dois casais : um mais comportado e o outro bastante ousado. O acaso vai misturar as peças, tendo a invasão russa em Praga, em 1968, como pano de fundo. A filosofia e a política, porém, ficam em segundo plano na adaptação para o cinema. O amor e o erotismo ganham vida nos desempenhos do então jovem Daniel Day-Lewis – que abandonou a profissão recentemente – a francesa Juliette Binoche e a sueca Lena Olin.

O filme, de 1987, foi dirigido por Philip Kaufman e concorreu a dois Oscars e dois Globo de Ouro. Um fragmento do livro interpreta o significado do título:“Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”. Leia o livro, veja o filme e tente responder.

p.s.: Na edição de 12/08/2023 , demos a notícia da morte do autor, Milan Kundera, aos 94 anos.

 

Eu recomendo

O diabo de cada dia (2020)

Para alguns, é muito complexo. Para outros, uma história ruim. No meu caso, um filme admirável, síntese do que procuro quando vou ao cinema ou dou o play nas plataformas de streaming. Gosto de sair nocauteado, provocado e desconfortável. Natural, portanto, que “O diabo de cada dia”, dirigido pelo americano Antonio Campos , e lançado em 2020, na Netflix, seja o número um na minha lista de indicações para os amigos.

Essa obra intrigante revela a essência da natureza humana, guiando o público a enfrentar seus próprios exemplos de moralidade. Histórias se entrelaçam entre diversos personagens e exploram temas como religião (e como as crenças podem ser manipuladas para justificar atos duvidosos),poder, sexualidade, nacionalismo, violência e busca por redenção, e as consequências desse coquetel explosivo.

A direção de Campos desenha um papel crucial ao criar uma atmosfera carregada. A paleta visual e a cinematografia minuciosa colaboram para construir um ambiente decadente, que espelha as batalhas internas vivenciadas pelos protagonistas. Muito bom testemunhar os jovens talentos Tom Holland e Robert Pattinson, entregando performances envolventes que dão vida às complexidades emocionais e psicológicas dos personagens .

“O diabo de cada dia” se desenvolve em um cenário rural dos Estados Unidos, no período p´s-Segunda Guerra Mundial, porém poderia facilmente ecoar como um reflexo da história recente do Brasil. Um filme muito americano. Um filme muito brasileiro. Um filme muito universal. Por ironia ouacaso, Antonio Campos é filho do jornalista mineiro Lucas Mendes e da produtora de cinema de Hollywood, Rose Ganguzza.

PS: Me encho de orgulho e preocupação cada vez que você me faz uma provocação como essa, minha cara Brígida De Poli. Sou fã. Sempre temo não estar à altura do seu trabalho e do seu público. Parabéns, vida longa e muito sucesso.

Pedro Leite, jornalista, pesquisador e produtor de conteúdo musical (@pedroleitesc).

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Novidades em filmes e séries

Falsos milionários – direção: Miranda July – 2023 – Netflix

O título em português é enganador. A categorização como “comédia”, também.  É difícil classificar “Kajillionaire”: parece ser mais uma trama que começa com o batido “uma família disfuncional”, mas demonstra originalidade no desenvolvimento. Evan Rachel Wood é Old Olio,uma jovem usada pelos pais para pequenos golpes. O trio gira em torno de roubar e enganar para sobreviver, devem o aluguel de um lugar que recebe uma chuva diária de espuma da fábrica de sabão localizada no andar de cima, enfim, uma vida fora dos eixos, principalmente para Old Olio. As coisas mudam quando eles conhecem uma jovem porto-riquenha durante um golpe maior. Os pais são vividos pelo ótimo Richard Jenkins, um desses ótimos atores veteranos que nunca obtiveram um papel bombástico, e Debra Winger, irreconhecível.

É importante dizer que “ Falsos Milionários” divide opiniões. Há quem goste muito e quem tenha odiado o filme, alegando que ele não faz sentido. Sou da turma que gostou pela imprevisibilidade do roteiro.

 

 

Batismo de sangue –  direção: Randall Emmet – 2023 –Prime Vídeo

A gente vê o nome de Robert De Niro no elenco e já quer ver o filme. Mas, o papel do velho xerife de uma pequena cidade assolada pelas drogas, é pequeno. Não está à altura de De Niro nem na composição do personagem. O foco principal da história é um casal viciado que resolve ficar “ limpo” antes de casar. Depois de uma tragédia, o noivo vira um justiceiro e a matança começa. Outro nome importante do elenco é John Malkovich. Com muita boa vontade dá para imaginar que tentaram denunciar a epidemia de opiácios nos EUA, mas agrada mais quem gosta  do gênero “ eu mato e esfolo” mesmo.

Obs: Não se engane na hora de buscar: há outro filme com o mesmo título de “Batismo de sangue”, mas é brasileiro e fala sobre a ditadura militar. O título original disponível na Netflix é “ Savage Salvation”.

 

Um dia, um gato – direção: Vojtech Jasný – 1963 – Belas Artes a la Carte

A plataforma do Cine Belas Artes traz de volta o vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes, uma chance de ouro para quem não conhece ou quer rever esse sucesso do cinema da Tchecoslováquia. O filme foi restaurado digitalmente, graças à cooperação do Laboratorio L’immagine Ritrovata e do Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary, a partir de cópias originais de 1963.

Sinopse: Fantasia, beleza e imaginação em uma bela alegoria poética. Os moradores de um vilarejo assistem ao espetáculo de um mágico e seu gato, que usa óculos e, quando os tira, tem o poder de mudar a cor das pessoas à sua volta de acordo com o caráter delas. O fato assusta os adultos do lugar, que vêem o animal como uma ameaça, mas, ao mesmo tempo, atrai todas as crianças da vila.

 

The Capture –  2ª temporada – 06 episódios – Lionsgate ( Prime Vídeo)

Depois de quatro anos, chega a segunda temporada dessa série britânica de espionagem e suspense com selo de qualidade BBC . Tanto tempo depois, a gente até já esqueceu o que aconteceu na primeira temporada, mas faz pouca falta para seguir a nova trama. O foco está bem na moda: inteligência artificial e deepfake. A incansável agente Rachel Carey , continua lutando para denunciar o programa Correção que usa tecnologia invasiva a serviço de governos e forças de segurança. A atriz Holliday Grainger é super talentosa e logo, logo, será cooptada por Hollywood ( ela faz também a série C.B.Strike, baseada na obra de J.K.Rowling).

Dessa vez, o Ministro da Segurança se vê na televisão, falando coisas racistas que não disse ao se posicionar sobre o uso de tecnologia chinesa de reconhecimento facial. Como pode, se ele estava dando entrevista ao vivo? O enredo dá voltas e reviravoltas e prende a atenção o tempo todo.

 

O poder e a lei – novos episódios – 2ª temporada – Netflix

Chegaram os novos episódios da segunda temporada do carismático “advogado do Lincoln”. Mickey Haller continua defendendo a ex-namorada de assassinato, enfrentando forças poderosas e lidando com a visita de sua exuberante mãe. Para alegria dos fãs da série, tudo indica que haverá uma terceira temporada. Muito do sucesso da série se deve ao protagonista ser vivido pelo ator Manuel Garcia-Rulfo, perfeito para o papel. Ele é secundado por um elenco igualmente carismático. Resta saber qual dos  livro de Michael Connely poderá ser adaptado no futuro para manter a produção tão boa.

 

 

O adeus a William Friedkin [ 1935-2023]

“Eu venho de um tempo em que o cinema não precisava de super-heróis para pagar as contas. A realidade é que sustentava nossa imaginação, alimentando filmes adultos” (W.F. em entrevista ao site Omelete)

Este ano não está fácil para o mundo do cinema. No último dia 07, partiu o diretor William Friedkin, conhecido por ter revolucionado os filmes de terror em “O Exorcista” ( 1973). Lembro de ter enfrentado uma fila imensa para conseguir assistir o filme que criou cenas antológicas da menina possuída pelo demônio.  Na volta pra casa, dormi com a luz acesa!

Desde então, o longa inspirou várias outras histórias e em outubro próximo vai ser lançada a continuação “ O Exorcista – O Devoto”, aproveitando os 50 anos do clássico de Friedkin.

Outros grandes filmes tiveram a mão de Friedkin: “Operação França”, ganhador do Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator para Gene Hackman ; o clássico “ 12 homens e uma sentença” (1997) ; “Os rapazes da banda” (1970); “Parceiros da noite” (1980), com Al Pacino; além de outros.

Aos 87 anos, ele concluiu um novo trabalho: “The Caine Mutiny Court-Martial”.Feito para a Paramount e Showtime, o filme tem estreia marcada  no Festival de Cinema de Veneza que acontece no fim de agosto.  Adaptado do romance vencedor do Prêmio Pulitzer de Herman Wouk, “The Caine Mutiny Court-Martial” segue o julgamento de um oficial da marinha (interpretado por Jake Lacy) que é acusado de liderar um motim contra seu comandante instável (Kiefer Sutherland). A história foi adaptada pela primeira vez para o filme “The Caine Mutiny”, de 1954, indicado a sete Oscars, incluindo o de melhor filme. Embora esse filme e o romance de Wouk ocorram durante a Segunda Guerra Mundial, Friedkin contemporizou a história e transferiu a ação para o Golfo Pérsico.

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Agende-se

FAM 2023: recorde histórico de filmes inscritos em 27 anos

Foto: Divulgação

O Festival Internacional de Cinema mais antigo de Santa Catarina, o Florianópolis Audiovisual Mercosul recebeu o maior número de filmes inscritos na história do Evento que esse ano chega na 27ª edição. Foram 1.545 obras de 29 países, incluindo coproduções. A marca superou o recorde de 2019, com um aumento de mais de 30%. A tradicional Mostra Curtas foi a que teve maior número de inscritos, 944. A Mostra Longas, competitiva desde 2019, recebeu a inscrição de 305 filmes. Destaque também para a Mostra Work in Progress, destinada para produções que estão em processo de finalização, com 40 obras inscritas. “A Mostra WIP completa seis anos na nossa programação e é ligada ao nosso evento de mercado, o Encontro de Coprodução do Mercosul, que este ano chega na sétima edição. É surpreendente termos 40 filmes inscritos, 15% a mais que no ano passado!”, explica produtor executivo da Panvision, Tiago Santos. Neste momento, os filmes passam pela fase de curadoria e a lista de selecionados está prevista para ser divulgada no fim de agosto. O FAM 2023 será realizado de 21 a 27 de setembro e você vai acompanhar também aqui pela coluna.

 

*Fotos: Reprodução/Divulgação

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The end

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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