Março 06, 2021

Roteiro de uma tragédia

Roteiro de uma tragédia
Legenda: A morte em O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman

Roteiro de uma tragédia

Quando a coluna deixou de ser temática e parei de escrever apenas sobre filmes e séries, achei que seria algo passageiro. Pensava  que logo nossa vida voltaria ao normal e a coluna também. Infelizmente, se passou um ano e estamos cada vez mais longe da normalidade. Relendo as edições de quando o pesadelo começou até agora dá para perceber como chegamos a essa tragédia: 260.000 brasileiros mortos pela Covid-19. Repito: 260 mil mortos. Faltam leitos, respiradores, médicos, consciência, solidariedade, amor ao próximo... faltam sepulturas. Para muitas pessoas falta também alguém que elas amavam.

Confesso que relutei a entrar no tema, mas acabei vencida pela obsessão que tomou conta do planeta diante do coronavírus. E vamos combinar: é mesmo apavorante. Estamos quase monotemáticos, só falamos da doença que começou na China e está se espalhando pelo mundo. Melhor se fosse apenas um roteiro de filme, pois o cinema já se ocupou do assunto várias vezes. Mas, infelizmente, não é. (09/02/2020)

Segunda semana de quarentena, isolamento, incerteza no futuro... achei prudente não sugerir filmes do Lars Von Trier ou algum outro diretor sombrio! O confinamento é absolutamente necessário para evitar o contágio, mas é preciso cuidar também do lado emocional, queridos cineseriéfilos. (28/03/2020)

A capacidade que o brasileiro tem de rir da própria desgraça faz parte da identidade nacional.  Não poupamos nem Airton Senna ou outro ser do panteão de heróis populares. Sequer isentamos a mãe, esse ser sagrado, das nossas "gracinhas". Não está sendo diferente com a maior tragédia que o país já enfrentou. São mais de 19 mil mortos, mas o coronavírus virou uma fonte inesgotável de piadas e memes nas redes sociais. (22/05/2020))

Nem preciso argumentar muito sobre o absurdo de haver gente que não leva a pandemia a sério, descumpre o isolamento social, faz festa e passeia no shopping como se a morte não estivesse à espreita. Basta olhar os números. Quando publiquei a Crônica em Quarentena n° IV, em 22 de maio, mencionei 19 mil mortos pelo coronavírus no Brasil. Pouco mais de um mês se passou e estamos com mais de 60 mil mortes ! É só fazer as contas. (04/07/2020)

Desculpem se hoje o tom é sombrio, mas a alegria é uma impossibilidade no momento em que passamos de 100.000 mortos pela Covid-19 no país. (15/08/2020)

O que eu e nem vocês imaginávamos é que um assunto trágico iria açambarcar o espaço da coluna em 2020. Quando em 09 de fevereiro abordei o tema pandemia não sabia que ele ia se estender por tanto tempo. E já se vão seis meses em que o mundo, a mídia, os cientistas e nós nas nossas conversas pessoais, ficamos monotemáticos. (22/08/2020)

Três meses depois percebo que tudo está como "dantes no quartel de Abrantes". Voltaram o som dos motores, das buzinas, das sirenes... No salão de festas, as pessoas gritam e gargalham como se não estivessem no horário que exige silêncio para os vizinhos que preferem dormir. Na madrugada também dá para ouvir ao longe uma batida stunt stunt de algum baile funk no bairro. (02/10/2020)

Seis meses e 150 mil mortos depois, mal sobraram resquícios daquela boa intenção dos primeiros dias. A promessa de melhorar o comportamento e de dar valor ao que realmente importa ficou no passado. (17/10/2020)

Já filosofamos bastante na coluna sobre o tempo que passa, voa, não para. Em 2020 é como se ele tivesse sido sugado por um buraco negro! Nunca a expressão "parece que foi ontem" fez tanto sentido. (13/11/2020)

Digo QUASE porque, infelizmente, estamos vivendo a era do negacionismo . Nega-se não só racismo, como o machismo, o aquecimento global, as queimadas, o desmatamento e até a doença  que já matou mais de 170 mil brasileiros. (29/11/2020)

Na Crônica em Quarentena de maio passado, postei apavorada que o país tinha chegado a 19 mil mortos pela Covid. Dois meses depois, a coluna registrou 60 mil mortos. Hoje, já passamos dos 200 mil mortos. Esse número cresce assustadoramente a cada dia, enquanto pessoas lotam praias, festas, baladas e shoppings. (22/01/2021)

Falam bobagens sobre medicação sem comprovação científica, mas são incapazes de providenciar vacinas, única forma real de nos livrar da Covid-19. (26/02/2021)

Repito: 260.000 mil mortos pela Covid-19 no Brasil.  (05/03/2021)

(Brígida De Poli)

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SÉRIES E FILMES

E como ninguém é de ferro, nesta edição achei melhor sugerir séries leves e divertidas. Para espantar os pensamentos sombrios...

THE GOOD PLACE – 5 TEMPORADAS – NETFLIX

A série brinca com a possibilidade de “vida após a morte” e dá sua ideia de paraíso. O “corpo estranho” nesse céu é Kristen Bell, sempre muito boa em comédias. O veterano Ted Danson foi indicado ao Emmy por seu trabalho como coordenador celestial atrapalhado na série.

Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) está morta. Acontece que, após sua partida, ela foi enviada ao "Good Place - ou "Lugar Bom" -, um lugar de eterna felicidade destinado às pessoas que fizeram o bem durante suas vidas. Lá, todos são bons e encontram as suas almas gêmeas, com quem passarão o resto da eternidade. Mas tudo isso não passa de um acidente: Eleanor não merece estar lá. E agora, será que ela vai conseguir esconder a verdade de Michael (Ted Danson), que coordena a vizinhança, ou será eventualmente enviada ao "Bad Place"? (Adoro Cinema)

 

SCHITTS CREEK -  6 temporadas – PRIME/PARAMOUNT

A série canadense é uma das mais premiadas no gênero. No Emmy de 2020 fez barba, cabelo e bigode. Derrotou a minha preferida,  a Maravilhosa  Mrs. Maisel , e também  The Good Place  que falamos acima. No Globo de Ouro da semana passada, arrebanhou mais um monte de prêmios e se despediu.

A trama:  a rica família Rose, acostumada a ostentar e aparecer em colunas sociais, perder a fortuna e precisa se mudar para a cidadezinha de Scheets Creek na zona rural canadense. Lá não tem mansões, nem vida de luxo, e agora?. Os atores Eugene Levy, Catherine O’Hara, Dan Levy e Annie Murphy t foram premiados por suas atuações no Emmy e no Globo de Ouro.

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FILMES

PARADIGMA

Para quem se encoraja a ir ao cinema presencial , o Paradigma Cine Arte ( SC- 401-Florianópolis) está exibindo duas comédias. Por determinação do governo estadual, as sessões só acontecem de segunda a sexta, com 25% de ocupação da sala. O cinema implantou protocolo rígido de segurança. O uso de máscara é obrigatório. São três sessões diárias, às 14h, 17h e 19h30. A programação será exibida até a próxima quarta-feira, 10 de março.

Mais que especiais- 14h e 19h30

Dos mesmos diretores de “Intocáveis”, a comédia dramática é dirigida por Eric Toledano e Olivier Nakache. O longa, que foi aclamado no Festival Varilux de Cinema Francês. Baseado em uma história real, “Mais que Especiais” aborda a história de dois homens que dedicam suas vidas a ajudar crianças e adolescentes com autismo. Ambos são responsáveis por organizações sem fins lucrativos, trabalhando em busca da formação desses jovens. É um filme sobre abertura para a diferença e tolerância. 



Notre Dame, de Valérie Donzelli, às 17h

Ambientado em Paris, a comédia francesa narra a jornada de Maud Crayon, arquiteta e mãe de duas crianças, que devido a um mal-entendido, é selecionada pela prefeitura de Paris para a reforma do pátio da Catedral de Notre-Dame. Diante da nova responsabilidade, ela também se vê em meio a uma crise existencial e amorosa, lidando com o ex-marido, a quem não chega a abandonar completamente.

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CINE BELAS ARTES

Se você prefere ficar em casa, o Cine Belas Artes tem novidades no acervo. Quem acompanha a coluna sabe do meu encanto pelo cinema argentino. Aqui, mais um exemplo do porquê.

O homem ao lado – direção: Mariano Cohn e Gastón Duprat – 2009- Argentina

El hombre de al lado não é para relaxar, ao contrário, é para exasperar! Essa comédia dramática se passa  na única residência que o famoso arquiteto suíço Le Corbusier assinou na América (  número 320 do Boulevard 53, na cidade de La Plata, ao sudeste de Buenos Aires). Os novos moradores pensam que está no paraíso até que o vizinho  do lado – que eles classificam como brucutu -resolve abrir uma janela que dá para sua maravilhosa casa. A partir daí se arma uma “guerra” entre os dois homens. Sabe aquela velha frase do Sartre “ o inferno são os outros”? Pois é...

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BÔNUS

LER É O MELHOR REMÉDIO

Ler é uma belíssima forma de “viajar” para longe desse insensato mundo. Já indiquei para vocês o “Literatura Mínima” no Instagram.  Se você gosta de escrever também é um ótimo canal. A cada semana um desafio diferente. Nesse, o mentor do Coletivo LM, Robertson Frizero, propôs um miniconto de , no máximo, 50 palavras que resgatasse personagens de outras obras literárias. Deveria  haver novo encaminhamento para as histórias clássicas. A intertextualidade – quando o autor dialoga com outras obras literárias  ou artísticas – rendeu minicontos incríveis! Trouxe alguns para vocês lerem. Tem outros em @literaturaminima. Corre lá!







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HASTA LA VISTA, BABIES!

(*) Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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