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quinta-feira, 30 junho, 2022

Relendo a pandemia – VI

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Relendo a pandemia – VI

Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes.  (Fernando Pessoa)

No início do confinamento, necessário para evitar o contágio da Covid, escrevi nas “Crônicas em Quarentenas” sobre um grande desafio que aguardava a todos. Impedidos de trabalhar ou sair de casa, famílias e casais se veriam obrigados a uma convivência de 24 horas por dia, sete dias por semana.

Previ o óbvio: muitas relações não resistiriam ao teste. Os números do Colégio Notarial do Brasil provaram isso. Em 2021, o segundo ano da pandemia, houve 80.573 divórcios no Brasil, índice recorde da série histórica. Isso significou um aumento de 4% em relação a 2020.

Se para alguns a separação instigada pela quarentena foi melancólica, para outros pode ter sido uma libertação. O isolamento social acabou expondo uma infelicidade latente no relacionamento. Na epígrafe desta crônica, Fernando Pessoa explica isso melhor que eu.

Como tudo na vida, teve também aqueles que fortaleceram os laços, apoiando-se mutuamente diante da tragédia que, apenas no Brasil, provocou a morte de seiscentas e setenta mil pessoas.

Juntos, separados, felizes ou infelizes, uma coisa é certa: nenhum de nós saiu o mesmo dessa experiência.

[Brígida De Poli]

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LAR,  “DOCE” LAR

O isolamento social não é agradável para ninguém, mas torna-se especialmente difícil para quem gosta de estar sempre “voando as tranças” na rua, no shopping, na balada. A situação pode ser mais complicada também para quem vive só. NADA, porém, deve ser pior que estar confinado com alguém cuja convivência costumeira de três, quatro horas por dia, já costuma ser conturbada.

Relações entre pais e filhos, irmãos ou outros parentes, podem ser bem conflituadas, mas há uma em especial onde estar junto 24 horas por dia pode virar “um pedaço de Saigon”. Não por acaso lembrei de “A Guerra dos Roses” (The war of the roses) o filme de 1989, dirigido por Danny DeVito, onde o casal vivido por Michael Douglas e Khatleen Turner decide se separar depois de 18 anos, mas nenhum dos dois quer abrir mão da mansão onde mora. Segue-se uma verdadeira guerra entre o casal, onde se restam perdedores.

Li em algum lugar que os casos de violência doméstica aumentaram 50% desde o início da quarentena. Agora, casais que às vezes mal suportavam ouvir a voz um do outro estão na mesma trincheira diuturnamente. Uma terrível consequência foi o aumento de mulheres à mercê de companheiros abusivos, cujo caráter violento é exacerbado pelo estresse do confinamento.

Piadas sobre ficar em casa e ter que “aguentar” a esposa se multiplicaram nas redes sociais. Achei graça no início, depois me dei conta que era o reforço da imagem da mulher megera, a chata que  oprime o pobre marido. Teve até o vídeo do espanhol gritando na sacada do apartamento “sácame de aquí, ya no puedo soportar a mi esposa”, que viralizou nas redes.

Quando tento projetar o futuro pós-pandemia, anseio para que permaneçam juntos só os que gostam de ouvir a voz um do outro, os que aproveitaram o confinamento para estreitar laços, os que perceberam que apesar de tudo “ foi bom estar em sua companhia ”.  Mas se a Guerra dos Roses for inevitável que termine bem para ambos os lados.

15/05/2020

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MICROCONTOS

O desafio proposto ao grupo @literaturaminima, pelo professor Robertson Frizero, foi um miniconto de cinqüenta palavras sobre alguma figura clássica da literatura, dando a ela um novo desfecho. Escolhi Anna Karenina, do grande romance de mesmo nome de Leon Tolstoi.

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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