Junho 19, 2021

A 'glamorosa' vida de repórter - I

A 'glamorosa' vida de repórter - I
Praça de São Joaquim, SC -reprodução/Relógios Lépi

Pediram-me para contar mais algumas histórias dos bastidores da emissora da TV. É bom mesmo fugir um pouco dos temas sombrios que nos cercam. Lembrei que muita gente confunde vida de repórter com vida de artista. Como estão sempre bem vestidos e com a carinha no vídeo pode parecer que a atividade deles é só glamour. Nada mais equivocado. Durante a cobertura dos deslizamentos no Rio Janeiro vi uma jovem repórter reclamando que precisava enfiar os sapatos no barro. Pensei: “ e daí, minha filha“ ? Ninguém contou para ela que reportar é sofrer ?! Vou contar algumas histórias leves envolvendo repórteres , mas isso não é nada perto de reportagens que exigiram deles grande força física e emocional.

 

1° episódio – O frio

Todo mundo curte as lindas imagens de neve na serra, enquanto turistas brincam, envoltos em cachecóis. Mas, que tal ficar uma hora plantado na praça, esperando a hora de entrar ao vivo, enquanto os termômetros marcam 2°, 3°graus ? Num inverno longínquo fomos pegos de surpresa com a previsão de neve naquele final de semana. O melhor hotel estava lotado, o segundo melhor hotel também. Depois de vários telefonemas consegui reserva para a equipe, formada pelo trio Ricardo, Jerry e Márcio, no único hotel disponível. Chegando lá, eles começam a me ligar :

- Olha, estamos todos num quartinho sem calefação.

 Outro telefonema:

-  O chuveiro é elétrico e sai meia dúzia de pingos gelados. O pequeno aquecedor portátil de vento já perdeu a “carenagem” que foi refeita com o alumínio de latas de óleo de soja ! Tira a gente daqui, pelo amor de Deus!

E assim foi até que um deles fez o resumo definitivo das mazelas que estavam enfrentando:

-Bri, para teres uma ideia do nível do hotel, no banheiro só tem meio sabonete marca Yara, cortado à faca!

Apesar dos meus esforços não consegui realocá-los em outro hotel. Por sorte ( deles, não do editor) a previsão de neve caiu e eles puderam voltar a Florianópolis.No dia seguinte, quando chegaram na redação me entregaram um pacotinho enrolado em papel de presente. Eu estava acostumada aos mimos que eles traziam das viagens, como maçãs e doces. Rasguei o papel toda faceira. Dentro havia metade de um sabonete Yara, cortado à faca ! Ameacei dar um “gancho” pra equipe, morrendo de rir...

 

2° episódio – A colméia

Angelo fazia a alegria da Redação. Brincava e fazia piada com tudo e todos.  Ele costumava dizer que seu maior medo era ser mandado a Anta Gorda, cidade gaúcha, e escreverem nos créditos da reportagem :“Angelo- Anta Gorda”. Mas o bicho aqui é outro. Um dia, ele saiu com a pauta da Cidade das Abelhas e fiz mil recomendações. Antes da gravação o técnico em apicultura orientou-o  a não fazer movimentos bruscos. As abelhas poderiam achar que a colméia estava ameaçada e reagir agressivamente. No meio da entrevista uma delas resolveu pousar no repórter e ele, assustado, agitou mãos e braços para espantar o inseto.

Foi o que bastou para o enxame vir em socorro da companheira. Foi salvo pelos apicultores, que devem ter perdido algumas abelhas na confusão.

Resumo da ópera: Angelo voltou pra TV sem a matéria e pálido como a lua. Levou algumas ferroadas, mas poderia ter sido pior. Passado o susto, rimos imaginando a cena.  Pena que o cinegrafista não registrou ...

(Brígida De Poli)

                                                            (Parte II na próxima edição)

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DICAS

Filmes

O Convidado – direção: Michael Winterbottom – 2019 –

Fui surpreendida por este thriller que conta a história de um misterioso britânico que vai ao Paquistão para sequestrar uma jovem às vésperas do casamento. Não vou me estender muito para não tirar a graça, mas há drama, choque de cultura e suspense na trama. Ao final pouco se sabe do homem interpretado por Dev Patel , que despontou em “Quem quer ser um milionário” e indicado ao Oscar por “Lion”. Ele está ótimo no papel, aliás. (Trailer RK)

 

Filhos de Istambul – direção: Can Ulkai – 2021 – Netflix

Esta foi uma sugestão do jornalista Aurélio Espíndola, do Empório Arpoador, da Praia da Armação. Chorei rios! A produção turca mostra uma situação que não é desconhecida dos brasileiros. Mehmet é dono de uma coletora de papelão em um bairro de Istambul. Assim como os meninos que paga para ajudarem na coleta, ele foi abandonado e  viveu nas ruas.  Ele também está à espera de um transplante de rim.Um dia, ele descobre em meio ao lixo , Ali, um garotinho de oito anos de idade, que foge do padrasto abusivo. Mehmet fica obcecado em protegê-lo e, aos poucos, descobrimos seus próprios traumas.

 

Sob o sol do oeste – direção: David e Nathan Zellner – 2018- Netflix

Robert Pattison, famoso pelo vampiro apaixonado de“ Crepúsculo”, já mostrou que não é só um rostinho bonito. Ao contrário, seguidamente procura papéis “feiosos”. Nesta comédia/western, ele vive Samuel um rico pioneiro se aventurando pelas remotas fronteiras dos Estados Unidos para casar com sua amada Penélope. Mas muita coisa dá errado e ele tem que enfrentar aventuras e perigosos nessa sátira a um dos gêneros mais queridos de Hollywood. Mia Wasikowska, de “Alice no País das Maravilhas”, é Penélope.

***

 

Séries –

Lupin – 2ª temporada – Netflix

O sucesso da primeira temporada garantiu a segunda parte das aventuras do ladrão elegante, Assane Lupin, inspiradas na história do personagem clássico da literatura, Arsène Lupin. Assane continua sua vingança contra a família rica pela injustiça cometida contra o pai dele, ex-empregado do clã. O carismático Omar Sy desempenha bem o papel do vingador.

 

Bosch – 7ª temporada – Prime Vídeo

A boa notícia para quem, como eu, é fã desta série policial: demorou, mas  a 7ª temporada estreia dia 25 de junho. A ruim: é a derradeira, depois dela não veremos mais o detetive amargo que vive numa bela casa, comprada com os direitos da venda de sua história para o cinema; está sempre limpo e gosta de jazz. Ou seja, foge do estereótipo do policial bêbado, com a barba por fazer, sempre brigando com o parceiro. Harry Bosch é interpretado por Titus Welliver, um ator em quem eu não prestava atenção até este personagem.

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

 
Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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