15.9 C
fpolis
15.9 C
fpolis
sexta-feira, 1 julho, 2022

O adeus aos meus malvados favoritos

Elenco da 3ª temporada de "Peaky Blinders" /divulgação
Últimas notícias

O adeus aos meus malvados favoritos

No mês do meu aniversário ganhei dois presentes de fazer a alegria de qualquer cineseriéfila.  Depois de longa espera, chegaram as novas temporadas de “ Peaky Blinders”, uma de minhas séries favoritas, e “ Borgen- O reino, o poder e a glória”, das melhores que vi sobre os bastidores da política. A nota triste é que são também as histórias derradeiras. Os malvados Shelby e a carismática ministra Birgitte Nyborg se despedem dos fãs nessas temporadas. São personagens bem construídos que deixarão saudades, principalmente em meio a tantas produções e interpretações medíocres disponíveis em streaming.

_______________________

 

Peaky Blinders – 6ª temporada – 06 episódios – Netflix

Para quem não conhece nada da série britânica: o irlandês Thomas Shelby e seus irmãos voltam à Birmingham, Inglaterra, depois de terem servido no exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. Pobres e sem perspectivas, eles acabam formando uma gangue, liderada por Thomas, que vai ganhando espaço até construir um império baseado em crimes e muito sangue. O nome vem de “peaky”, uma boina de cinco pontas, e “blinders”, do hábito da quadrilha cegar seus inimigos com a navalha escondida no chapéu.

Os irmãos Shelby – baseados em figuras reais – as esposas, namoradas e a tia deles formam um grupo de personagens muito bem construídos. O elenco é espetacular, com Cillian Murphy no papel do chefe da família, mesmo não sendo o mais velho. Aliás, Paul Andersen , no papel do primogênito Arthur Shelby, é simplesmente assustador. Infelizmente a ótima atriz Helen McCrory que interpreta a tia Polly, morreu de câncer no ano passado. Outro nome conhecido do elenco é Anya Taylor-Joy que se tornaria super famosa em “O gambito da rainha”.

Se há muitas cenas de violência? Sim, porém, não são gratuitas. Elas são necessárias para contar a história.

Uma dica: Não desista nos primeiros episódios. Já vi muita gente fazer isso. ”Peaky Blinders” custa um pouco a engrenar, mas depois vira vício. O sucesso da produção foi tanto que o figurino influenciou estilistas e a moda de rua. A ambientação e a trilha sonora contribuem para o clima sombrio. (Veja o trailer)

Todas as temporadas estão disponíveis na Netflix e, infelizmente, a sexta é também a temporada de despedida da série.

 

Borgen – 4ª temporada – 10 episódios – Netflix

Reprodução/Divulgação

Bastidores da política podem render ótimas tramas,  como mostrou o sucesso de “House of Cards”, com Kevin Spacey, antes dele cair em desgraça por denúncias de assédio e abuso sexual. A dinamarquesa “Borgen’ mostra a trajetória da primeira-ministra, Birgitte Nyborg, personagem ficcional. Nas três primeiras temporadas,  conhecemos uma candidata ética e pouco experiente, mas decidida a galgar postos até chegar ao cargo máximo do país escandinavo. Na Dinamarca, o sistema é parlamentarista, mas identificamos coisas em comum com a nossa política. Na história também são retratadas as relações entre o poder e a mídia.

Um dos trunfos da produção é o enorme carisma que a atriz  Sidse Babbet Knusen empresta à protagonista.  Agora, em “ Borgen– O reino, o poder e a glória “ encontramos Birgitte mais experiente e no cargo de  ministra dos Assuntos Exteriores. Explicar como ela chegou ali seria dar muito  spoiler. A quarta – e última – temporada inicia com a descoberta de petróleo na Groelândia  – a ilha tem administração autônoma, mas pertence à Dinamarca- Birgitte brigando pelo controle da extração até com a primeira-ministra e preocupada com o impacto ambiental.  Mas, agora ela não quer abrir mão do poder e poderá fazer concessões.Na vida pessoal, separada do marido, a ministra enfrenta problemas com o filho. Ainda é cedo para avaliar o resultado final da temporada que deixa um pouco as questões internas de lado para abordar um tema global, como aquecimento e agressão ao meio ambiente. Se você quiser acompanhar, comece pela primeira temporada. Todas estão disponíveis na Netflix.

_______________________

 

OUTRAS SÉRIES SOBRE POLÍTICA

“House of Cards” & “ House of Cards” 

Já que falei nela: se, por acaso, você ainda não viu “ House of Cards”, em sua versão americana (Netflix) está perdendo uma das melhores séries do gênero, principalmente as duas primeiras temporadas . Kevin Spacey é um congressista pra lá de ambicioso, capaz de tudo , tudo mesmo, para conquistar o poder. Ao seu lado, a linda e talentosa Robin Wright, interpreta a mulher dele, tão ávida de poder quanto o marido. Depois do escândalo que tirou Kevin Spacey da série, Robin teve que levar a última temporada sozinha.

Reprodução/Divulgação

A “House of Cards” original é britânica e foi produzida pela BBC em 1990, logo após o fim do mandato de Margaret Thatcher como primeira-ministra do Reino Unido. A série ganhou sete indicações ao BAFTA, incluindo Melhor Drama, ator e atriz, com Ian Richardson ganhando a de melhor atuação. As três temporadas estão disponíveis no Cine Belas Artes a la Carte.

Reprodução/Divulgação

 

Gaslit – 10 episódios – Canal Starzplay 

Ainda sobre política: escrevi sobre esta minissérie quando  apenas os primeiros episódios estavam disponíveis. Achei que não curtiria tanto porque o caso Watergate é um tema já explorado à exaustão, mas o ângulo abordado é outro. O centro da trama é Martha Mitchell, esposa de  John Mitchell, poderoso advogado que tentou proteger o presidente Richard Nixon do impeachment. Carismática e adorando estar na mídia, Martha se transforma em pedra no sapato do marido e do governo acusado de espionagem. O grupo responsável pelo grampo na sede do partido Democrata é uma atração à parte, tal o grau de trapalhadas que cometem.

Em um dos episódios finais, Julia Roberts e Sean Penn, o casal Mitchell da história, tem uma longa cena de briga e separação. Anotem aí: a sequência dará o Emmy, Globo de Ouro e outros prêmios à dupla de atores. Uau!

_______________________

 

NÃO RECOMENDO!

  • De olho no sucesso das primeiras temporadas de “Quem matou Sara”, a Netflix acaba de lançar a terceira parte da série mexicana. Sou resistente, mas não consegui passar de meia hora do primeiro episódio. Resolveram até ressuscitar a jovem assassinada. A vida é curta para perder tempo com um caça-níquel desses!
Reprodução/Divulgação
  • Resolvi assistir “De volta à Itália” (Telecine) para rever as paisagens toscanas. Não tinha muitas esperanças de que fosse um bom filme, mas foi pior ainda. Liam Neeson deixou os filmes de ação de lado e encarou esse drama romântico para trabalhar ao lado do filho, Michéal Richardson. Os dois fazem pai e filho, tentando se conectar na vida adulta. Desde a morte da mãe quando criança, o jovem perdeu também a presença do pai, um pintor de sucesso. Infelizmente, o filme é um festival de clichês, daqueles que a gente antecipa até os diálogos.
Reprodução/Divulgação

_______________________

THE END

cronica

 

Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
Mais notícias para você
Últimas notícias

Gazu e Feira de Queijos no Festival de Inverno do Multi

Salve, Gazuuu! Meu querido e estimado amigo, um dos artistas mais talentosos de Santa Catarina, é a atração principal...
.td-module-meta-info { font-family: 'Open Sans','Open Sans Regular',sans-serif; font-size: 14px !important; margin-bottom: 7px; line-height: 1; min-height: 17px; } .td-post-author-name { font-size: 14px !important; font-weight: 700; display: inline-block; position: relative; top: 2px; }