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quarta-feira, 29 novembro, 2023

O fascínio do público pelos crimes reais

O caso Jessica Wongso e a justiça da Indonésia (Foto: Reprodução/Netflix)
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Um gênero vem ganhando cada vez mais espaço nas plataformas, principalmente nas gigantes Netflix e HBO Max: filmes e séries documentais sobre crimes reais. A audiência garantida fez crescer exponencialmente o número de produções para TV sobre algum acontecimento assombroso. Há alguns personagens recorrentes como Charles Mason, Ted Bundy e outros serial killers famosos, bem como o foco repetitivo em escândalos envolvendo igrejas de várias vertentes. Os roteiristas se debruçam também sobre delitos financeiros e sexuais. Pergunto-me se o fascínio do público por crimes reais vem do mesmo lugar que faz com que diminuam a velocidade para olhar acidentes na estrada.

Meu interesse pelo gênero está menos no crime e mais na investigação. Afinal, fui criada lendo Agatha Christie, Raymond Chandler e companhia. Rejeito aqueles documentários que focam no ato violento, nas cenas sangrentas, em prejuízo de mostrar o trabalho dos investigadores e o julgamento.

Entre tantos, listei alguns documentários e séries documentais mais recentes. Vou tentar não dar spoiler, mas aviso: são histórias para os fortes.

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Não conte a ninguém – 05 episódios – HBO Max

A minissérie é espanhola , mas trata do assassinato brutal de uma família de brasileiros em Pioz, Espanha. O casal de paraibanos e dois filhos pequenos são encontrados esquartejados dentro de sacos de lixo na própria casa para onde haviam mudado há pouco tempo. O sobrinho do casal trata de voltar rapidamente ao Brasil, avisando os amigos na Espanha  e no Brasil que teme pela própria vida.  O início das investigações leva para o caminho de tráfico de drogas, máfia, mas aos poucos surge outra teoria. A família das vítimas é ouvida no documentário e vai compondo o mosaico para o desfecho.  Não vou explicar muito para não dar spoiler, mas o que mais me impressionou é justamente a parte do “não conte a ninguém”.

 

O assassinato de Jill Dando –  03 episódios- 2023  – Netflix

É frustrante quando o caso acaba sem solução, mas aqui a peculiaridade vem exatamente de, vinte anos depois, a polícia britânica não ter a menor ideia de quem assassinou uma das mais importantes e respeitadas apresentadoras de TV do país. Jill Dando, jornalista da BBC, era uma espécie de Lady Diana no coração do público. Jovem, loira de cabelos curtos, sorridente, ela foi morta, em 1999, com um tiro na cabeça quando chegava em casa. A polícia investigou o ex-marido, o noivo, a hipótese de vingança de algum criminoso pelo programa de crimes reais que ela apresentava na TV, depois um stalker que chegou a ser preso e solto mais adiante, e a procura chegou a lugar algum. Jill tinha 37 anos e uma carreira em ascensão quando foi executada.

 

Ice cold- O caso Jessica Wongso –      episódios – 2023 – Netflix

O documentário retrata a morte de Mirna Salihin, em 2016, após beber café gelado em uma lanchonete de Jacarta, suspeito de estar envenenado com cianeto. As suspeitas recaíram sobre sua melhor amiga, Jessica Wongso, que havia chegado na cafeteria antes dela. As duas jovens haviam trabalhado juntas na Austrália e retomaram a amizade quando voltaram ao país natal. Sem entrar no mérito se foi Jessica quem matou a amiga, o interessante nesse caso é o julgamento expor como a justiça funciona de forma caótica na Indonésia.

 

O ônus da prova –  04 episódios – 2023 – HBO Max

A minissérie segue Stephen Pandos, um homem determinado a descobrir a verdade sobre o  desaparecimento de sua irmã, décadas antes. Ela tinha quinze anos quando teria deixado uma carta dizendo que “precisava de um tempo longe daquilo” e sumiu sem deixar rastros. Diante de novas evidências, Pandos tem a terrível suspeita de que seus próprios pais estariam envolvidos no caso. Ele faz de tudo para confirmar sua teoria, mas o ônus da prova é de quem acusa.

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NOVIDADES

FILMES

Camaleões ( Reptile) – direção: Grant Singer – 2023 – Netflix

Continuamos em investigação policial, mas agora ficcional. Benício Del Toro, uma figura sempre impressionante, interpreta um policial durão apelidado de Oklahoma, destacado para investigar o violento assassinato de uma corretora de imóveis. Ele mudou de cidade depois que seu parceiro foi preso por corrupção, sem que ele tivesse denunciado, e agora  leva uma vida pacata, é apaixonado pela profissão e pela esposa, faz aula de dança folclórica e confraterniza bem com seus amigos policiais. Essa tranquilidade é quebrada à medida que ele vai descobrindo o que há por trás do assassinato. No elenco estão o cantor Justin Timberlake, demonstrando mais uma vez que é também bom ator, e Alicia Silverstone, que andava meio sumida. Benício Del Toro é co-autor do roteiro. ( Veja o trailer)

 

Ninguém vai te salvar – direção: Brian Duffield – 2023 –  Star+

Essa mistura de drama e terror tem uma coisa curiosa: a falta de diálogos. Ao todo, devo ter contado umas cinco palavras no filme inteiro. Mesmo assim, a gente só percebe bem depois, pois o ritmo e a expressividade de Kaitlyn Dever prendem a atenção. Ela é Brynn, uma jovem solitária que mora no campo e é hostilizada pela população por algo em seu passado. Um belo dia, um ser alienígena invade sua casa e a jovem precisa lutar pela sobrevivência com as chegada de outros da mesma espécie. Apesar de todo o suspense, a história vai bem além do terror aparente, falando sobre culpa, empatia e perdão. Anotem aí e me cobrem depois: o papel de Dever é para indicação ao Oscar.

 

SÉRIES

Lupin – 3ª temporada – Netflix

Para alegria dos fãs da série que traz um Arséne Lupin modernizado, chega a nova temporada com as aventuras do ladrão gentil que busca vingar uma injustiça feita ao seu pai no passado. O enredo da série é baseado nos romances do escritor francês Maurice LeBlanc, que criou o personagem em 1905. O carismático Omar Sy é Assane Diop, o mestre dos disfarces.

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EXTRAS

Adeus a David McCallum

A gente esquece que a mania por séries de televisão não começou há pouco. Já na infância e adolescência eu assistia várias e tinha meus “crushs” em cada uma. Em “O agente da U.n.c.l.e”, uma trama de espionagem, meu favorito não era Robert Vaughan, o líder Napoleon Solo, mas seu assistente Illya Kuriakyn, interpretado por David McCallum. Apesar de escocês, ele vivia um espião russo na série. Durante vinte temporadas, McCallum atuou também na série NCIS, como o médico legista Ducky. No cinema, o ator trabalhou no clássico de guerra  Fugindo do Inferno (1963) ao lado de astros como Steve McQueen, James Garner, Charles Bronson e Donald Pleasence.

David McCallum morreu de causas naturais no último dia 25/09, aos 90 anos, cercado pela família. Vá em paz, meu eterno Illya.

 

Disney Plus lança o curta “ Beautiful”, produzido por uma brasileira  

A segunda temporada de “Launchpad, o projeto da Disney que busca diversificar a autoria de suas produções, incluiu o curta “Beautiful” com produção da brasileira Helena Sardinha. Graduada pela New York Film Academy, em Los Angeles, Helena iniciou seus estudos de cinema na UFSC-Universidade Federal de Santa Catarina, onde atuou como pesquisadora criativa dentro do PACT – Performance, Arte Corpo e Tecnologia. A cineasta vive em Los Angeles e entre seus trabalhos estão os três curtas-metragens Walter, Pandora e Quartet, esse último premiado. O novo trabalho “ Beautiful”, com direção de Gabriela Ortega, conta a história de uma garota determinada a vencer uma competição de sorvete com sabor inspirado em sua falecida tia. Ela recorre aos vizinhos do parque de trailers para ajudá-los a descobrir a receita vencedora. Elenco: Dariana Alvarez, Lynette Coll, Eileen Galindo, Logan “Meatball Queen” Jennings, Wendi McLendon-Covey.

 

O livro que virou filme na revista Paranhana Literário

Acaba de sair a nova edição da revista Paranhana Literário, um presente para quem gosta de literatura. São contos, crônicas, poesia, artigos, indicações de leitura e a participação de autores de vários lugares, com edição do jornalista e escritor, Doralino Souza. Na página 70, vocês encontram meu artigo sobre Germinal, romance de Émile Zola, de 1885, que virou filme com Gerard Depardieu, em 1993.

http://paranhanaliterario.jm2d.com.br/

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*Fotos: Divulgação/Reprodução

THE END

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Brígida Poli
Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".
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