Setembro 11, 2021

Uma plateia em choque

Uma plateia em choque
Jasna Duricic em Quo Vadis, Aida? (divulgação)

Combinamos que aqui não seria mais lugar para textões, as Crônicas & microcontos migraram para o domingo, mas PRECISO contar uma história deliciosa sobre cinema para vocês. Quem me relatou foi meu irmão mais velho. Eu era muito pequena para lembrar.

Na nossa infância havia projeção de filmes nas ruas da pequena cidade onde morávamos. Qualquer parede branca e lisa virava a tela. Todo mundo se ajeitava como podia, se apoiava no muro, numa árvore... Na falta de lugar, alguns espectadores se encostavam no carro em cima do qual ficava o projetor. O dono, pai de um amiguinho do meu mano, tomou uma atitude radical para evitar que o público se apoiasse ali: eletrificou o veículo! O pobre incauto que tentasse se escorar no carro levava uma descarga elétrica e saía tonto. A mais literal definição de uma plateia chocada.

***

Trocadilhos à parte, há vários filmes nas dicas abaixo com histórias chocantes, a maioria mostrando a insanidade da guerra.

_________________________________________________________________________

 

FILMES

Quo Vadis, Aida ? – direção: Jasmila Zbanic – 2020 -Telecine

Esta produção da Bósnia e Herzegovina concorreu ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A Aida do título é a tradutora bósnia que trabalha em uma missão da ONU,na cidadezinha de Srebrenica. Milhares de pessoas buscam abrigo no acampamento da Organização quando os sérvios invadem a cidade. A burocracia e a incapacidade dos oficiais da missão colocam todo mundo em risco, principalmente os muçulmanos. Aida faz de tudo para salvar o marido e os dois filhos.

A história da tradutora é fictícia, mas se mantém fiel à essência do massacre real de Srebrenica pelos sérvios, em 1995, quando mais de oito mil homens foram assassinados. Prepare seu coração. (Trailer: Filmelier)

Obs: O Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira 2020 foi para o dinamarquês “Druk”, sobre o qual falamos aqui na edição passada.

 

 

Segredos Oficiais – direção: Gavin Hood – Prime Vídeo- 2019

A história é real. Katharine Gun trabalhava como tradutora de mandarim para inglês no sistema de espionagem britânico. Ela se vê diante de um dilema moral quando tem acesso a memorandos secretos, mostrando a pressão sobre seis países para que votassem a favor da invasão do Iraque em 2003. Mesmo com medo, ela divulga os segredos da Agência de Segurança Nacional e acaba respondendo a processo como traidora. A protagonista é interpretada por Keira Knightley, bem convincente longe dos papéis de época onde brilha sempre. Há imagens reais de Tony Blair e George Busch e, ao final, vemos a imagem da veradeira heroína. O elenco tem ainda o sempre ótimo Ralph Finnes.

 

Brazil – o filme – direção: Terry Giliam – 1985- Cine Belas Artes

O filme não é sobre o Brasil, nem se passa aqui, mas há coincidências com o que estamos vivendo. Sam Lowry, interpretado pelo ótimo Jonathan Pryce ( o Papa Francisco em “Dois Papas”)  vive num Estado totalitário, controlado pelos computadores e pela burocracia. Neste Estado futurista, todos são governados por fichas e cartões de crédito e ainda precisam pagar por tudo, até mesmo pela permanência na prisão.  Lembrem-se, o filme foi feito há quase quarenta anos! Outra personagem importante é a terrorista por quem Sam se apaixona.

Terry Gilliam fez parte do Monty Phyton, o grupo que criou paródias geniais como “A Vida de Brian” e “Em busca do cálice sagrado”.

***

 

Infantis

Aliens roubaram meu corpo – 2020 – Telecine

A nova missão da Patrulha Galáctica é recuperar o corpo do capitão Rod (Jayden Greig), que foi roubado por B'KR (Ty Consiglio), o vilão mais temido da galáxia. A mente de Rod agora divide um só corpo com Elspeth (Lauren McNamara), sua prima implicante. Presos em um misterioso planeta, os jovens heróis vão atrás do único capaz de reverter a situação, Art (Sandy Robson), o pai de Rod. Nessa jornada repleta de aventuras, eles também são apoiados pela velha nave Ferkel, e juntos descobrem segredos da galáxia. (sinopse: Papo de Cinema)

 

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, o filme – 2015 – Telecine

Qual adulto não gosta do adorável beagle Snoopy e de seu dono, o carente e atrapalhado Charlie Brown? Sempre bom ver/rever esta dos mesmos produtores de “A era do gelo” e “Rio”, dois ótimos filmes infantis.

Sinopse: Snoopy embarca em sua maior missão como piloto até hoje, atrás de seu arqui-inimigo, o Barão Vermelho, enquanto seu melhor amigo, Charlie Brown, inicia a sua própria jornada épica.

 

***

SÉRIES

The Singapore grip – 06 episódios - Canal Film&Arts 

A história é adaptada da trilogia homônima de J.G.Farrell, a produção britânica é esmeradíssima e o elenco muito bom, exceção talvez à atriz asiática que interpreta um dos papéis mais importantes. Tendo a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo, a história acompanha uma família britânica que vive em Singapura, durante a invasão japonesa. Um empresário que enriqueceu com a extração da borracha tenta a qualquer custo não perder seu patrimônio. Os generais são relutantes e incompetentes, a discriminação com os nativos é enorme e um caso de amor entre um jovem britânico e uma asiática acaba sendo o eixo principal da trama. Espero que venha a segunda temporada.

 

O Veredito – 03 episódios – Canal Film&Arts

Esta minissérie alemã não é para todos os gostos. Acontece toda num mesmo cenário, um tribunal, onde percebemos as horas passando pela luz do dia mudando na janela atrás dos juízes. O réu é o oficial que abateu um avião com 164 pessoas para evitar que um terrorista seqüestrador jogasse a aeronave no estádio com 70 mil torcedores. Ele descumpriu ordens e está sendo julgado por assassinato. O primeiro episódio é o mais longo e expõe o caso, ouvindo defesa e acusação. Os dois episódios seguintes são breves e lá conhecemos o(s) veredito(s).  Culpado ou inocente? Uma aula de Direito.

 

Califado – 8 episódios – Netflix

Sugestão do jornalista Aurélio Espíndola (@emporio_arpoador), lembrando um tema que está na berlinda por causa do conflito no Afeganistão. A produção sueca centra em três mulheres: Pervin, uma sueca que mora na Síria e vive com um conterrâneo que faz parte do Estado Islâmico, recrutados na Suécia; Fátima, uma policial sueca que vai ajudar a tirar seus compatriotas da Síria e investiga atentados dentro do seu país; e Sulle, uma adolescente que é cooptada por alguém da escola onde estuda num subúrbio de Estocolmo, para o Estado Islâmico, usando a religião muçulmana como porta de entrada. A série passa por temas bem atuais como fake news e a opressão das mulheres pelos preceitos do Talibã.

_________________________________________________________________________

 

Corra, leitor, corra !

Sexy Beasts – reality show - Netflix

Só se você estiver a fim de algo muito bizarro para encarar este reality de encontros. Tem vários programas do tipo, mas este – talvez para ser diferente – enfia uma fantasia de diaba na moça e outras máscaras, tão absurdas quanto, nos três pretendentes. A equipe de produtores quis mostrar que é possível escolher um par amoroso pela personalidade e não pela aparência. Nem consigo imaginar o que rolou na reunião em que o “brilhante” formato foi decidido!

_________________________________________________________________________

THE END

*Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

MOF 5

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!