Fevereiro 29, 2020

IN VINO VERITAS

IN VINO VERITAS
iStock/Divulgação

Produtores de vinho de Santa Catarina dão início nesta sexta-feira (28) à festa da colheita da uva. A 7ª edição da Vindima de Altitude é um dos principais eventos turísticos do estado e se concentra nas vinícolas, que prepararam degustações orientadas e passeios, apresentações musicais, almoços e jantares harmonizados. A programação segue (sempre aos finais de semana) até o dia 29 de março. A expectativa dos organizadores é reunir aproximadamente 40 mil visitantes, cerca de 15% a mais que o ano passado. A coluna entrevistou o presidente da Vinhos de Altitude Produtores Associados, José Eduardo Bassetti, um dos organizadores do evento:


Qual a história deste evento?

José Eduardo Bassetti: Alguns produtores viajaram para fora do país, conheceram eventos parecidos e perceberam a oportunidade de fazer aqui uma festa para comemorar a nossa colheita. Então surgiu a Vindima de Altitude. Ela ajuda a gente se integrar com a comunidade já que o enoturismo é um produto novo, que pouca gente da região conhecia. Parece contraditório, mas março era, talvez, o mês que menos traz turistas para a região. Hoje, com o evento consolidado, passou a ser o segundo mês na movimentação turística. É neste período que você pode mostrar pros visitantes diversidade. Mostrar que a região tem várias vinícolas e que produzem vinhos de excelente qualidade.


Além de acompanhar a colheita, visitantes participam de eventos gastronômicos e culturais - (iStock/Divulgação)

Qual a expectativa para a Vindima deste ano?

José Eduardo Bassetti: A gente acredita que neste ano o público vai aumentar. E isso é bom para toda uma cadeia, que vai de hospedagens a restaurantes – além de ser uma vitrine para todas as vinícolas da nossa região. No Festival da Vindima (de 06 a 08 de março) todas se reúnem para, no mesmo espaço, apresentar praticamente todos os vinhos produzidos em região de altitude de Santa Catarina. Obviamente algumas, que estão mais longe, não puderam se mobilizar para estar neste evento. Mas a Vindima está crescendo. Ano passado foram 14, neste ano são 15 e no ano que vem devemos ter a adesão de mais uma vinícola.

Qual é o perfil do público?

José Eduardo Bassetti: A gente procura valorizar o vinho como um produto regional, que faz parte da vida de quem vive nas regiões mais altas e frias do estado. Mas, além disso, procuramos trazer para a festa também os profissionais da área. São donos de restaurantes, de empórios, ou sommeliers, que ficam garimpando bons produtos país afora. Este é o nosso público de interesse. Mas recebemos também muitos turistas. Gente de (...) Florianópolis, Blumenau, Joinville, Chapecó e Criciúma. E também de outros estados, de cidades como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo que vem para a região conhecer um produto que é diferenciado.


Evento foi lançado no dia 13 de fevereiro em Florianópolis - (J.Douglas/Montagem)

Em sete edições é possível perceber uma evolução no evento?

José Eduardo Bassetti: A variedade dos nossos vinhos aumentou muito. Na primeira ou segunda vindima eram quatro ou cinco rótulos por empresa. Hoje o que impressiona é a quantidade de vinhos diferentes que a gente tem para oferecer. Empresas novas, que se implantaram há pouco tempo, já estão querendo mostrar seus produtos. O s turistas estão conhecendo melhor nossa proposta e a imprensa está mais atenta – e isso ajuda na divulgação.

No que a Vindima de Altitude de Santa Catarina difere de eventos como do Vale dos Vinhedos?

José Eduardo Bassetti: A diferença para o Vale dos Vinhedos é que, no Rio Grande do Sul, o evento é mais antigo e consolidado. Recebe um público maior, envolve mais vinícolas e abrange uma região mais extensa. Aqui, nossa delimitação geográfica abrange 32 municípios e a produção menor. Se formos somar tudo que produzimos, dá um pouco mais de 1 milhão de garrafas por safra. Além disso são vinícolas menores. Mas isso acaba sendo um diferencial positivo porque possibilita uma interação diferente e experiências que talvez o visitante não teria em outros lugares. Aqui, cada vinícola tem um evento diferente. Uma faz um sunset, outra o tramonto. Há jantares, passeios ciclísticos, piqueniques e muito mais. As possibilidades estão de multiplicando para que o turista possa ter uma oportunidade diferente em cada vinícola. Então é o mês de exibir nossos produtos e começar declarar que a nossa safra é boa, é grande. É o momento de mostrar um trabalho que começou há vinte anos.


Bassetti, ao centro, recebe apoio do Governador Carlos Moisés e do Diretor Presidente do BRDE para a 7ª Vindima de Altitude - (Ricardo Wolfenbüttel/Divulgação)
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FORMAÇÃO

Ainda falando em vinhos, o núcleo catarinense da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-SC) está divulgando a sexta edição do curso para formação de Sommelier Profissional. O curso começa no dia 20 de março, com aulas aos finais de semana em Florianópolis. A entidade é uma das mais conceituadas do país e o certificado da ABS é reconhecido em 57 países. Informações e inscrições pelo www.abs-santacatarina.com.br ou pelo fone (48) 99140-4275.

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MELHORES CERVEJARIAS


(Hill Farmstead Brewery/Divulgação)

O aplicativo Ratebeer (adquirido no começo do ano passado pela AB InBev) divulgou a relação das 100 melhores cervejarias artesanais do planeta em 2019. O ranking foi elaborado com base em 10 informações diferentes dos usuários que, segundo o site, “permitem colocar em condições de igualdade” novas e antigas, grandes e pequenas cervejarias. O aplicativo de avaliações é muito acessado nos Estados Unidos e – talvez por isso – quase 70 das 100 melhores da lista ficam na terra do Tio Sam. A primeira delas é a Hill Farmstead, em Vermont (foto). Veja a relação das 10 primeiras colocadas:

A seleção dos usuários destaca também a canadense Brasserie Dieu du Ciel e algumas europeias famosas como as inglesas Cloudwater e Fullers´s, a dinamarquesa Mikkeller e a belga Brouwerij 3 Fonteinen. Nenhuma cervejaria sul americana entrou na lista.

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ÁGUA NO CHOPE


(Montagem/CNN)

O surto de Coronavirus já afeta a previsão das grandes indústrias de bebidas. AB InBev calcula que as vendas de cerveja diminuíram pelo menos 10% com a suspensão de eventos do Ano Novo Chinês (o que significa uma redução de 285 milhões de dólares de faturamento apenas naquele mercado). A dinamarquesa Carlsberg também sinalizou redução no consumo. 

A gigante Diageo, dona de marcas como Johnnie Walker, calcula uma queda de aproximadamente 260 milhões de dólares nas vendas. O motivo seria a redução do consumo na Ásia por conta da queda no movimento em bares e restaurantes, suspensão de eventos, cancelamento de viagens internacionais e até de leilões. A reportagem original pode ser lida no Financial Times.

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Jefferson Douglas da Silva

Jefferson Douglas da Silva

Jornalista com especialização em Gestão de Marcas, atuou por mais de 25 anos em jornais e emissoras de televisão de Chapecó, Blumenau, Joinville e Florianópolis. Foi repórter, editor, apresentador e gestor de equipes de TV, entre elas a chefia de redação da RBS TV. Tem experiência em assessoria de comunicação e relações públicas nas áreas governamental e privada. Conhece em detalhes a rotina de cantinas que produzem vinho colonial no Oeste do estado e alambiques do Vale do Itajaí. Fez cursos de coquetelaria (Senac) e produção artesanal de cerveja (Escola Superior de Cerveja e Malte). Apaixonado por vinhos, estuda o assunto desde 2001.

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