Agosto 22, 2020

Três anos e 160 edições depois ...

Três anos e 160 edições depois ...

Esta 160ª edição marca o 3º aniversário de Cine&Séries. Desculpem o clichê, mas parece que foi ontem! A primeira edição saiu em 22 de agosto de 2018 e trouxe comentários sobre a série Billions (Netflix); sobre A Insustentável leveza do ser, na seção "O livro que virou filme"; a recomendação do jornalista Pedro Leite para Era uma vez na América, de Sérgio Leone; e também Burt Lancaster e Deborah Kerr rolando na areia da praia na seção "Beijo de Cinema".

De lá para cá conversamos sobre muitas coisas através dos filmes: racismo, jornalismo, sororidade, nazismo e fascismo, viagens, futebol, livros, refugiados, mães, divas, sexo, ditadura, hackers, cinemas argentino, coreano, chileno e brasileiro, vinho, pornografia, professores, ópera, tango, drogas e guerras. Alguns queridos da colunista ganharam uma edição só deles: Sean Connery, Pedro Almodóvar, Sidney Poitier, Lina Wertmuller e Federico Fellini. Com todo respeito, nem o Criador ficou de fora dos nossos temas na coluna " Oh, meu Deus".

O que eu e nem vocês imaginávamos é que um assunto trágico iria açambarcar o espaço da coluna em 2020. Quando em 09 de fevereiro abordei o tema pandemia (aqui) não sabia que ele ia se estender por tanto tempo. E já se vão seis meses em que o mundo, a mídia, os cientistas e nós nas nossas conversas pessoais, ficamos monotemáticos. Também me afetou e a necessidade de falar sobre o drama da Covid-19, o isolamento social, os medos que vieram junto com a peste, me levaram a escrever as Crônicas em Quarentena.

Dezesseis delas abriram a coluna nos últimos meses.

A coluna deixou de ser temática nesse período, mas não vejo a hora de voltarmos ao nosso bate papo favorito: só filmes, séries, trilhas sonoras, atores, diretores e livros que viraram filme. Sem vírus, pandemia, contágio, confinamento ou quarentena...Desejo que tenhamos logo um happy end como nos filmes de antigamente!

Obrigada pela companhia nesses três anos. Espero ter ganas para escrever durante mais três e que vocês tenham disposição para continuar me lendo. Abraço grande.

(Brígida De Poli)

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COM A PALAVRA, O LEITOR

Se tem uma coisa que eu gosto é receber retorno sobre a coluna ! Gostaria que mais gente escrevesse, mas felizmente tenho comentaristas assíduos que  fazem análises muito interessantes. Como sobre a última edição " Alguém para segurar a nossa mão".

De: Elisa Lima

De fato, difícil ter lugar para alegria diante de mais de 100 mil mortes, sem contar o resto...

Lendo sua crônica hoje me lembrei que no início dos anos 90, quando a AIDS virou assunto quase diário, se falava num tal "grupo de risco" que na época era identificado como sendo os usuários de drogas e os homossexuais. Depois chegou-se à conclusão que não havia "grupo" e sim "comportamento" de risco.

Quem sou eu para me contrapor aos cientistas, né? Mas acho o mesmo em relação à COVID. Pode ser que algumas pessoas, por conta de uma imunidade menor, sejam mais suscetíveis a contrair a doença, mas este nível de contaminação que estamos vivendo tem a ver com o comportamento - individual e coletivo. Tem gente que não está nem aí, que acha que tudo é exagero, disseminação de pânico...Some-se a isso, claro, a omissão por um lado e a ação criminosa, por outro, do governo. Há dois meses meu mantra era: vai passar! Infelizmente mudei para: vai passar?

De: Zuleide Besen

Sim, esse é um assunto sombrio... mas muito real, e tão perto de nós que não dá dizer que não queremos falar sobre isso. Difícil acreditar que mesmo com tanta informação à nossa disposição, ainda parece que para alguns, a ficha não caiu...

Para mim, só a imagem do filho acompanhando a mãe pela janela, já fala por si. Será que alguém consegue ficar insensível a isso?

De: Giba Motta

Crônica sensível, dolorosa e certeira. O vírus que nos corrompe ( há séculos) é o do egoísmo. Somado ao da boçalidade/prepotência , nos torna (des)humanos e fadados à solidão absoluta. E reforço a tua sugestão, entre tantas ótimas, o filme Profissão:Repórter – direção: Michelangelo Antonioni (1975), uma radiografia da perda de identidade nestes tempos pós-tudo em plena pré-caverna é de uma atualidade assustadora. E que grande filme !

De: Clara Amélia

Muita emoção! Chorei ao ler tua crônica, Brígida. Tão sensível como abordas esta questão ( vida ou morte) crucial neste momento!

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DICAS DE FILMES E SÉRIES

TELECINE/NOW

O Farol – direção: Robert Eggers – 2019

Uma das melhores estreias do Telecine. Filmado em preto e branco, a história se resume a dois atores em cena: Willem Dafoe e Robert Pattison, em interpretações primorosas. Longe de ser um filme popular, traz um resultado impactante.

Sinopse: Início do século XX. Thomas Wake (Dafoe), responsável pelo farol de uma ilha isolada, contrata o jovem Ephraim Winslow (Pattinson) para substituir o ajudante anterior e colaborar nas tarefas diárias. No entanto, o acesso ao farol é mantido fechado ao novato, que se torna cada vez mais curioso com este espaço privado. Enquanto os dois homens se conhecem e se provocam, Ephraim fica obcecado em descobrir o que acontece naquele espaço fechado, ao mesmo tempo em que fenômenos estranhos começam a acontecer ao seu redor. ( Cine Belas Artes/trailer Vitrine Filmes)

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PRIME VÍDEO

Damages – 5 temporadas

Essa é uma série de 2007, mas quem não chegou a ver no canal FX tem uma segunda chance agora no Prime Vídeo. Ela é ambientada no mundo dos processos milionários de Nova York. Patty Hewes, interpretada pela maravilhosa Glenn Close, é a advogada mais conceituada e temida nessa área do Direito. Outra personagem importante é Ellen Parsons, assistente brilhante e ambiciosa do escritório de Patty. A trama não se resume ao tribunal, mas a outros aspectos sombrios e violentos na luta pelos milhões de dólares que essas causas podem render.

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NETFLIX

A Prima Sofia – direção: Rebecca Zlotowski – 2019

Esse filme francês tem causado certa polêmica e dividido opiniões. Tem quem goste muito, outra parte do público acha desinteressante. Eu gostei. Acho que tem bastante coisa para se observar na história da jovem Naima, de 16 anos, moradora de Cannes, que recebe a visita da prima Sofia, de 22 anos, vinda de Paris. Naima está recém se descobrindo e Sofia é liberada até demais. Tornam-se grandes amigas e conhecem homens mais velhos e ricos que passam férias na Riviera Francesa. Naima fica fascinada pela postura da prima que logo se envolve sexualmente com um rico brasileiro dono de iate luxuoso, onde elas saem a passeio. Aliás, há cenas de sexo tórridas.  Sem dar muito spoiler: com o tempo, Naima percebe que nem tudo na vida da prima é um mar de rosas.

Curiosidades: a atriz que interpreta Sofia é Zahia Dehar, uma ex-garota de programa que causou escândalo ao contar que se relacionou com jogadores famosos quando ainda era menor de idade. O personagem brasileiro é interpretado pelo português Nuno Costa, que já fez novelas no Brasil.

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FESTIVAIS EM VERSÃO VIRTUAL

13ª Festa do Cinema Italiano

Ruim por um lado, bom por outro ! Por causa da pandemia a Festa do Cinema Italiano/2020 não foi realizada presencialmente em abril. A ótima notícia é que terá uma edição virtual. Vinte filmes italianos recentes, a maioria inédita no Brasil, estarão disponíveis de 28 de agosto a 10 de setembro online e gratuitamente . Uhuuu !!

https://br.festadocinemaitaliano.com/#filmes

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Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Já deixe agendado também a mostra de São Paulo que este ano será online. Alguns filmes serão gratuitos, outros com ingressos a preços acessíveis. Participam vários países como Austrália, Espanha, Argentina, Polônia e, claro, o Brasil.

Anote aí: 22 de outubro a 04 de novembro.

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Última chance – Festival de Cinema Varilux

Enquanto vem chegando o cinema italiano no Canal Looke, vai saindo o cinema francês. Quem ainda não viu, tem até o dia 28 de agosto para maratonar os filmes franceses do Festival Varilux, gratuitamente. São cerca de 50 títulos, inclusive várias animações para o público infantil.

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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